Temor de mais sanções ao Irã faz petróleo subir

Tensões na síria levaram os contratos futuros da commodity a US$ 100 por barril pela primeira vez em mais de uma semana

Gustavo Nicoletta, da Agência Estado,

28 de novembro de 2011 | 19h50

Os preços dos contratos futuros do petróleo fecharam em alta e tocaram US$ 100 por barril na New York Mercantile Exchange (Nymex) pela primeira vez em mais de uma semana, impulsionados por tensões na Síria e pela perspectiva de mais sanções comerciais ao Irã.

O contrato do petróleo para janeiro negociado na Nymex subiu US$ 1,44, ou 1,49%, para US$ 98,21 por barril, com máxima intradia de US$ 100,74 o barril. Na plataforma ICE, o contrato do petróleo tipo Brent avançou US$ 2,60, ou 2,44%, para US$ 109,00 por barril.

Hoje, a União Europeia indicou que vai recomendar, na próxima quinta-feira, a imposição de mais sanções comerciais ao Irã - incluindo proibições à importação do petróleo produzido pelo país - por suspeitar que o governo iraniano está desenvolvendo uma bomba nuclear. Além disso, a Liga Árabe aprovou, no domingo, sanções econômicas à Síria como punição ao governo, que vem repreendendo violentamente os opositores do atual regime.

"Essa tensão na Síria, possíveis sanções ao Irã - são coisas que geram potencial de alta" nos preços, disse Peter Donovan, vice-presidente da Vantage Trading, uma corretora de opções de petróleo em Nova York.

O Irã é o terceiro maior exportador de petróleo do mundo, segundo informações do Departamento de Energia dos EUA. No ano passado, os iranianos exportaram 2,2 milhões de barris de petróleo por dia e a União Europeia foi o segundo maior consumidor desse total.

A Síria não é uma grande produtora de petróleo, mas investidores temem que os protestos no país, de grande escala e ampla duração, se espalhem para grandes produtores de petróleo na região, como a Arábia Saudita.

Qualquer redução na oferta de petróleo colocaria a economia mundial em uma situação delicada, visto que a Europa está lidando com um aperto no fornecimento da commodity desde o início das tensões na Líbia, em fevereiro. Nos EUA, os estoques de petróleo começaram a cair com mais ênfase recentemente, em parte para compensar a redução da oferta na Europa.

"O momento para embargos ao Irã dificilmente poderia ser pior", disse James Zhang, estrategista de commodities do Standard Bank. As informações são da Dow Jones.

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