Temor em relação a dívida na Europa derruba euro

O euro sofreu hoje sua maior depreciação em termos porcentuais ante o dólar em um dia desde agosto do ano passado em meio ao ressurgimento dos temores em relação à crise da dívida na zona do euro. A moeda comum devolveu todos os ganhos proporcionados desde a última quinta-feira, quando líderes europeus anunciaram um plano para estabilizar o sistema financeiro da região. O acordo tem por objetivo ampliar o poder de fogo da Linha de Estabilidade Financeira Europeia (EFSF, nas iniciais em inglês), reduzir o endividamento da Grécia e recapitalizar os bancos europeus.

RICARDO GOZZI, Agencia Estado

31 de outubro de 2011 | 19h48

Apesar de o plano ter sido rotulado como um "pacote abrangente", observadores do mercado consideram que os líderes europeus ainda precisam detalhar uma série de itens do acordo e avaliam que a implementação será complicada. Ao mesmo tempo, ganharam força os temores de que um default da Grécia possa vir a derrubar a Itália e outras economias maiores da zona do euro, o que pesou sobre a moeda comum.

"Estamos tendo uma dose de realidade", comentou Ron Leven, estrategista cambial do Morgan Stanley. "Agora as pessoas estão de olho nas letras miúdas do plano, e há muita incerteza em relação a essas letras miúdas", avaliou. No fim da tarde, a queda do euro acentuou-se depois de o primeiro-ministro da Grécia, George Papandreou, ter dito que o governo pretendia submeter-se a um novo voto de confiança e levar a referendo o plano aprovado pelos líderes da união monetária.

Além das incertezas em relação ao euro, o mercado de câmbio hoje passou por uma intervenção do Banco do Japão (BoJ) para enfraquecer o iene em relação ao dólar. Calcula-se que o BoJ tenha gasto 7 trilhões de ienes (cerca de US$ 90 bilhões) para conter a apreciação de sua moeda, o que vem prejudicando a economia do país e tornando suas exportações menos competitivas no exterior.

O ministro das Finanças do Japão, Jun Azumi, reiterou hoje que o governo de seu país continuará tomando "ações decisivas" contra "movimentos especulativos no mercado". Analistas, no entanto, acreditam que o governo japonês e BoJ terão dificuldade para deter o que consideram uma tendência de valorização do iene.

No fim da tarde, em Nova York, o euro era negociado a US$ 1,3858, de US$ 1,4147 na sexta-feira. O iene estava cotado a 78,17 por dólar, de 75,83 ienes por dólar na sexta-feira, e a 108,34 por euro, de 107,29 ienes por euro no fim da semana passada. A libra estava em US$ 1,6082, de US$ 1,6129 na sexta-feira. As informações são da Dow Jones.

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