Tendência do dólar é de queda, mesmo com leilões do BC

A retomada das atuações do Banco Central no mercado à vista de câmbio, comprando dólares como fez na segunda-feira e ontem, não foi nenhuma surpresa. Conforme lembram especialistas ouvidos pela Agência Estado, recentemente, o diretor do Banco Central, Afonso Bevilaqua, disse que o objetivo era continuar acumulando reservas assim que houvesse condições de mercado. Nem todos concordam, no entanto, que o momento apropriado chegou. Para o gerente de mesa de dólar do banco Société Générale, Haroldo Vasconcellos, por exemplo, o ideal seria esperar que a melhora internacional vista nos últimos dias se consolidasse. Ele considera que a situação atual está longe de repetir as condições anteriores ao estresse que causou a reunião do Federal Reserve (banco central americano) de maio. O comunicado daquele encontro estampou a frase "alguma firmeza adicional da política poderá ser necessária" e levou os investidores internacionais a reduzirem suas posições de risco em países emergentes. "Os estrangeiros que saíram naquele momento ainda não voltaram", afirma Vasconcellos. Ele acrescentou que a moeda norte-americana ainda deve mostrar volatilidade perante os indicadores da economia dos EUA, mesmo depois que o comunicado da última reunião do Fed trocou a frase que causou nervosismo por uma que o mercado considerou mais amena: "o Comitê julga que permanecem alguns riscos de inflação". Avalia também que a proximidade das eleições presidenciais pode acentuar esses momentos de oscilação. Mesmo assim, Vasconcellos avalia que as intervenções do Banco Central, desde que não sejam agressivas, não terão peso determinante no mercado. Ele avalia que a tendência do dólar é de queda e acredita que o BC deve continuar com os leilões, seguindo o comportamento que tinha anteriormente aos momentos de tensão vistos em maio.

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