Tendência do real é de valorização em 2010, prevê HSBC

Cpital externo voltará a ingressar no País, que oferece condições favoráveis para isso

Lucinda Pinto, da Agência Estado,

11 de fevereiro de 2010 | 15h18

A atual pressão sobre câmbio, provocada por uma nova onda de turbulência internacional, é pontual. E, ao final do ano, a moeda norte-americana deve voltar a se depreciar em relação ao real. Essa é a avaliação do economista-chefe do HSBC, André Lóes. Ele concorda com a previsão de outros analistas, de que o cenário externo e, principalmente, a eleição presidencial doméstica, podem provocar muita volatilidade cambial. Mas, diferente de outros profissionais, para ele, o fluxo de recursos esperado para este ano é elevado e deve ser suficiente para colocar a cotação em um nível inferior ao atual - sem identificar, entretanto, uma projeção, pois o banco ainda está reavaliando sua estimativa para o rumo do câmbio em 2010.

 

Lóes acredita que os problemas enfrentados pela Grécia não serão suficientes para impedir o fluxo de investimentos estrangeiros ao Brasil. E, assim, sua expectativa é que "o mundo continue financiando o déficit em conta corrente do Brasil". "O problema da Grécia não tem potencial para deteriorar a liquidez internacional como aconteceu com a quebra do Lehman

Brothers", afirma. Para ele, confirmada a ajuda ao país pela União Europeia, a percepção de que essa turbulência é pontual fica mais evidente.

 

Assim, embora o início do ano esteja sendo marcado por um fluxo negativo de recursos, Lóes acredita que o capital externo voltará a ingressar no País, que oferece condições favoráveis para isso. Ele cita o fato de o Brasil crescer acima da média mundial, o que atrai capital para ativos de renda variável e Investimento Estrangeiro Direto (IED). "O fluxo vem porque o crescimento do Brasil vai acontecer de forma saudável, com investimentos em aumento da capacidade de produção", afirma.

 

Além disso, há a expectativa da realização de IPOs e da capitalização da Petrobras, operação prevista para este ano. Já para a renda fixa, o diferencial de juros, que deve ser ainda maior com a perspectiva de alta da taxa Selic - que Lóes, a partir da sinalização deixada pela ata do Copom, acredita que deve ocorrer em abril, -, pode assegurar os investimentos. "O Brasil

segue sendo uma opção de investimentos e por isso o fluxo deve ser forte como foi em 2009", afirma. "Tudo conspira a favor do ingresso de recursos."

 

O que tem gerado preocupação entre alguns profissionais é a perspectiva de deterioração do déficit em conta corrente do Brasil, por causa da recuperação das importações em ritmo mais acelerado do que das exportações. Mas, para Lóes, o fluxo externo deverá financiar esse saldo negativo e, por isso, sua expectativa é de que o câmbio sofrerá valorização em relação ao

patamar atual. "O mundo nos financiará", afirma.

 

O risco este ano, segundo ele, é o efeito das eleições. O economista acredita que a discussão sobre o câmbio vai permear os debates entre os candidatos e, nesse ambiente, é natural que o mercado fique sensível e as cotações oscilem. "Mas não será uma tendência. Passado o efeito de curto prazo das eleições, o fluxo vai voltar a mandar", afirma.

Tudo o que sabemos sobre:
HSBCAndré Loésreal

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.