Tendência para o setor bancário é negativa, diz Merrill Lynch

O momento não é bom para investir em ações do setor bancário, segundo relatório do banco de investimentos Merrill Lynch. Mas as melhores opções, entre todos os bancos brasileiros analisados, continuam sendo as ações do Unibanco, que, segundo o Merrill. é "o único banco em nosso universo para o qual prevemos um retorno sobre patrimônio mais elevado em 2006 e 2007 na comparação com 2005." De acordo com relatório elaborado pela analista Valerie Fry, os dados sobre crédito divulgados ontem pelo Banco Central indicam uma tendência negativa para o setor, especialmente no que se refere a um crescimento menos acelerado do crédito, declínio dos spreads (diferença entre taxa de captação e taxa de empréstimo) e contínua deterioração da qualidade dos ativos. "Acreditamos que essas tendências sustentam nossa avaliação de que a perspectiva de lucratividade para o setor bancário deverá ficar pressionada", diz o relatório. A analista destaca que o crédito no varejo aumentou 2,5% em maio ante abril, quase em linha com a expansão de 2,4% registrada em abril. "Saques a descoberto e empréstimos pessoais foram os principais fatores do crescimento do crédito no varejo em maio, ao mesmo tempo em que o financiamento de bens duráveis apresentou um número positivo pela primeira vez desde dezembro de 2005." No segmento corporativo, a expansão do crédito foi de 2,0% em maio sobre abril, ante 2,6% de abril frente a março. "Entretanto, a expansão nesse segmento é em parte explicada pela depreciação de 11,1% do real em maio, já que cerca de 25% do portfólio corporativo do setor bancário é denominado em dólar. Esperamos que esse crescimento seja parcialmente revertido em junho com a recente apreciação cambial." A contração de 120 pontos base do spread médio em maio ante abril, para 28,6%, segundo o Merrill Lynch, reflete o impacto da taxa de juros básica da economia (Selic) mais baixa e o aumento da concorrência dentro do setor, particularmente no segmento de varejo. O Merrill Lynch também destacou no relatório que os índices de qualidade dos ativos continuam deteriorando-se em meio à crescente exposição ao crédito de risco mais elevado. O índice de inadimplência de mais de 90 dias para o sistema bancário atingiu 4,9% em maio, acima dos 4,7% de abril e dos 3,6% registrados em maio do ano passado. Os índices de inadimplência para pessoa física subiram para 7,6% no mês passado, de 7,4% de abril e 6,0% de maio de 2005, enquanto, para o segmento corporativo, essa taxa chegou a 2,4%, de 2,3% de abril e 1,7% de maio do ano passado.

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