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Tensão com guerra comercial diminui e dólar fecha a R$ 4,07, em queda de 1,38%

Escalada dos conflitos entre China e Estados Unidos, após o anúncio de novas tarifas, é menor do que os investidores projetavam, trazendo alívio ao mercado; Ibovespa terminou o dia perto da estabilidade

Altamiro Silva Junior e Paula Dias, O Estado de S.Paulo

20 Setembro 2018 | 18h39

O dólar teve mais um dia de queda e terminou a quinta-feira, 20, em baixa de 1,38%, cotado em R$ 4,0739, o menor valor desde 31 de agosto, quando encerrou a R$ 4,0646.

O cenário externo novamente foi o principal fator a impulsionar a queda da moeda aqui, como aconteceu no último pregão, mas operadores ressaltam que as eleições continuam sendo monitoradas de perto pelas mesas de câmbio e um dos pontos que agradou aos investidores na pesquisa do Datafolha foi o ritmo mais lento de crescimento de Fernando Haddad (PT) do que o visto na pesquisa do Ibope.

O gestor de investimentos da Western Asset Management Company, Adauto Lima, ressalta que desde o começo da semana está ocorrendo um movimento de queda do dólar ante vários emergentes. A esperada escalada da tensão comercial entre China e Estados Unidos, após o anúncio da Casa Branca de mais tarifas sobre produtos chineses, acabou não ocorrendo na velocidade esperada, o que trouxe alívio aos investidores internacionais.

O dólar acumula queda de 2,18% na semana no Brasil, de 4,30% na África do Sul, de 4% na Argentina e de 0,31% no México. O índice DXY, que mede o desempenho da moeda americana contra uma cesta de outras seis divisas fortes, acumula queda de 1,13%. "Foi um movimento generalizado de queda", ressalta Lima. 

O dólar à vista abriu em baixa e operou em queda durante todos os negócios. A pesquisa do Datafolha mostrou que Ciro Gomes (PDT) ainda está na disputa para ir ao segundo turno e Haddad cresceu três pontos, menos do que os 11 pontos visto no Ibope, além de Jair Bolsonaro (PSL) ter seguido na liderança. 

O economista para a América Latina do grupo ING, Gustavo Rangel, avalia que o provável resultado da eleição já se estreitou consideravelmente, com três nomes na disputa: Haddad, Ciro e Bolsonaro. Com isso, o cenário para o mercado de câmbio melhorou, refletindo dois fatores. O primeiro é que o risco de uma vitória de Ciro se reduziu após a entrada em cena de Haddad; o segundo é que há sinais de que, se eleito, Haddad deve se apressar para acalmar investidores, mostrando uma retórica mais pró-mercado, como Luiz Inácio Lula da Silva fez em 2002.

Ibovespa fecha perto da estabilidade

O Ibovespa, principal índice de ações do País, voltou a mostrar pouco fôlego para avançar rumo a novas resistências e teve um pregão de instabilidade, alternando pequenas altas e baixas ao longo do dia. O desempenho positivo das bolsas de Nova York e a queda do dólar real foram referências positivas, que acabaram por limitar o movimento de realização de lucros visto desde a véspera. Nesse ambiente, o Ibovespa terminou o dia aos 78.116,01 pontos, em baixa de 0,07%

A escassez de notícias acabou por figurar como um pano de fundo positivo, uma vez que não houve sobressaltos nem com o cenário internacional, nem com o front eleitoral doméstico. Lá fora, os investidores continuaram a relativizar os atritos comerciais entre Estados Unidos e China. Por aqui, a última pesquisa Datafolha teve interpretações diversas, mas nenhuma apontando para uma mudança de cenário.

Para Sabrina Cassiano, analista da Coinvalores, apesar do clima menos tenso, o quadro eleitoral ainda em aberto motiva o investidor a manter postura mais cautelosa. Esse seria um dos motivos, segundo ela, do descolamento do Ibovespa em relação às altas das bolsas de Nova York. Outro fator de prudência apontado pela analista foi o tom mais duro do comunicado do Copom, que concluiu na quarta-feira, 19, sua reunião periódica, na qual a taxa Selic foi mantida em 6,5%.

"O Copom sinalizou que pode voltar a elevar juros ainda este ano, caso veja riscos à frente. Embora essa sinalização tenha surpreendido o mercado, contribuiu para manter a cautela do investidor", afirmou.

A queda do dólar para o patamar dos R$ 4,07 foi fator positivo no mercado em geral, mas pressionou para baixo as ações de empresas exportadoras, que ultimamente vinham ganhando com a valorização da moeda americana. JBS ON terminou o dia com perda de 3,24% e Embraer ON cedeu 2,40%. Na ponta contrária esteve Gol PN, com ganho de 5,62%, atribuído ao impacto positivo da queda do dólar nas contas da companhia.

Na análise por ações, tiveram papel determinante para a baixa do Ibovespa as quedas das ações da Petrobrás (-0,69% na ON e -0,55% na PN) e dos papéis do setor financeiro, como Itaú Unibanco PN (-0,65%). Os papéis da estatal acompanharam as quedas dos preços do petróleo no mercado internacional. Por outro lado, Vale ON, ação de maior peso na carteira do Ibovespa, subiu 1,26% e impediu uma queda maior no resultado final do indicador.

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