Tensão na Ucrânia deve levar NY a abrir em queda

As bolsas norte-americanas devem iniciar o pregão desta sexta-feira, 14, em baixa, sinalizam os índices futuros. A escalada da tensão na Ucrânia aliada a preocupações com a China aumentam a aversão ao risco em Wall Street na manhã de hoje. Às 10h15 (de Brasília), o Dow Jones futuro perdia 0,16%, o Nasdaq recuava 0,06% e o S&P 500 cedia 0,11%.

ALTAMIRO SILVA JÚNIOR, CORRESPONDENTE, Agencia Estado

14 de março de 2014 | 10h29

Na Ucrânia, a proximidade do referendo que a Crimeia fará no domingo, 16, para decidir se vai se anexar à Rússia faz crescer as preocupações com o desenrolar da crise. Nesta sexta-feira, a imprensa dos EUA dá destaque ao aumento da presença militar russa em, ao menos, três regiões da Ucrânia, o que aumentou a preocupação do governo local com uma possível invasão. Ontem, a chanceler da Alemanha, Angela Merkel, declarou que a Rússia corre o risco de enfrentar "graves consequências políticas e econômicas" se Moscou não entrar em "negociações que alcancem resultados".

Para o economista da Northern Trust, Carl Tannenbaum, a situação na Ucrânia está cada vez mais incerta e uma piora da crise com certeza vai aumentar ainda mais a aversão ao risco no mercado financeiro nos próximos dias e elevar os prêmios de risco. "A origem da crise é política, mas fatores econômicos estão tendo agora um papel central no jogo diplomático para tentar resolver o conflito", escreveu em uma análise do país.

Além da Ucrânia, cresce a percepção no mercado de que a China pode se desacelerar mais que o inicialmente esperado este ano, sobretudo depois dos recentes indicadores abaixo do previsto. Um fator adicional começou a pesar para piorar a percepção sobre o país asiático. A Shanghai Chaori Solar Energy não conseguiu cumprir com seus compromissos financeiros e cresce o temor de que novas empresas possam estar inadimplentes.

Nos EUA, um dos indicadores do dia é o índice de sentimento do consumidor da Universidade de Michigan, que será divulgado às 10h55 (de Brasília). A expectativa do banco RBC Capital Markets é que o número fique em 83 na sua primeira leitura de março, acima do nível de 81,6 de fevereiro. Para o economista do banco, Jacob Oubina, outros indicadores têm mostrado melhora recente da economia, como a geração de postos de emprego acima do previsto em fevereiro e crescimento das vendas no varejo. Isso aliado a alta recente das bolsas e a expectativa de que o pior dos efeitos do inverno rigoroso na economia já tenha passado deve contribuir para melhorar a confiança dos norte-americanos.

Há pouco, o índice de preços ao produtor (PPI) dos EUA caiu 0,1% em fevereiro ante janeiro, contrariando previsão de alta de 0,2%, o que ampliou as quedas nos índices futuros ao sinalizar enfraquecimento da pressão inflacionária no país.

No noticiário corporativo, as investigações sobre o atraso de uma década da montadora General Motors (GM) em fazer um recall de veículos segue ganhando espaço na imprensa e pressionando o papel da maior fabricante de carro dos EUA. Nesta sexta-feira, a novidade é que problemas no air bag de dois modelos que estão sob recall causou a morte de 303 pessoas, de acordo com uma reportagem do The New York Times. No pré-mercado, o papel recuava 0,65%, depois de perder mais de um 1%.

Já a General Eletric (GE) anunciou que vai separar sua divisão de varejo financeiro. A unidade que cuida de cartões de crédito de empresas como Gap e Walmart vai abrir o capital em uma oferta pública. A empresa terá um novo nome, Synchrony Financial. No pré-mercado, o papel da GE recuava 0,16%.

Tudo o que sabemos sobre:
bolsas de valoresNYUcrânia

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.