Tensão política desmonta posições em moedas emergentes

A edição online do jornal Financial Times informa que as moedas de alto rendimento ("high yield") de países emergentes caíram fortemente nesta manhã nos mercados europeus, com os investidores desmontando operações em que tiram vantagem do diferencial de rendimento ("carry trade"). Corretores ouvidos pelo jornal afirmaram estar ocorrendo uma ?tempestade perfeita? no setor. ?Preocupações com fatores políticos na Tailândia, Hungria, Brasil e Polônia - onde a coalização de governo foi rompida ontem - se adicionaram aos temores com a deterioração do déficit fiscal da África do Sul e de uma moratória potencial na dívida do Equador?, disse o jornal. O movimento forte de venda de ativos emergentes foi, entretanto, iniciado ontem, com a divulgação do indicador econômico do Federal Reserve da Filadélfia (EUA), que aumentou o temor de um pouso forçado na economia dos Estados Unidos. As preocupações com a possibilidade de o Senado norte-americano aprovar as leis protecionistas defendidas pelos senadores Schumer e Graham também acentuaram a pressão ontem. Tais temores surgiram depois de o presidente do comitê de finanças do Senado, Charles Grassey, declarar que acredita na aprovação do projeto de lei dos senadores, o qual prevê imposto de 27,5% sobre as importações da China. "Vemos certa desmontagem de posições", disse Paul Mackel, estrategista do HSBC. "Neste ambiente de desaceleração global, tais moedas, que são de elevado rendimento e cujos países têm déficit elevado em conta corrente, tendem a registrar desempenho pior", concluiu. Elisabeth Gruie, estrategista de moedas em mercados emergentes do BNP Paribas, acrescentou: "Temores de default no Equador, distúrbios políticos na Tailândia e na Europa central, sem mencionar o Brasil, são outros fatores de desestabilização". A lira turca caiu 2,5% contra o dólar mais cedo, para 1,522 liras por dólar; o rand sul-africano cedeu 0,7%, até a mínima em três anos a 7,631 rand por dólar; e a coroa islandesa recuou 0,7%, para 70,89 por dólar. Outras moedas "high-yield" também eram foco de pressão, como o dólar na Nova Zelândia e o dólar australiano, mas algumas das moedas no epicentro do noticiário, como o baht tailandês, o zloty polonês e o forint húngaro, subiram. O principal beneficiário da pressão entre as moedas "high yield" era o franco suíço, cada vez mais utilizado para garantir as operações de "carry trade". No começo do dia, a moeda subiu, assim como o euro, também considerado outro porto seguro. Às 10 horas, entretanto, o franco suíço operava em baixa contra o dólar, valendo US$ 1,2324; o euro, por sua vez, subia 0,33% para US$ 1,2822.

Agencia Estado,

22 de setembro de 2006 | 10h29

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