Tesouro adia todos os leilões de títulos desta semana

Numa reação à volatilidade do mercado financeiro provocada pela escolha de Guido Mantega para comandar o Ministério da Fazenda, o Tesouro Nacional foi obrigado ontem a cancelar todos os leilões de títulos públicos que seriam realizados ao longo da semana. Esse tipo de prática só é adotada quando há nervosismo e incertezas e o Tesouro prefere se ausentar do mercado para não distorcer ainda mais os preços dos ativos. Ontem seriam realizados leilões com oferta de títulos prefixados, que têm taxa definida na hora da venda e oferecem mais risco. Em momentos de turbulência, esses papéis costumam ser rejeitados ou o Tesouro é obrigado a pagar mais caro para vendê-los. Após confirmar que vai deixar o cargo, o secretário do Tesouro Nacional, Joaquim Levy, procurou ontem acalmar o mercado financeiro. "Todas as indicações são de tranqüilidade, de manutenção de rumo. Não deve haver preocupação." Segundo Levy, o Tesouro tem uma situação de caixa confortável e o mercado encontrará "o seu preço sem nenhuma dificuldade". Mas a própria confirmação da saída de Levy também contribuiu para a volatilidade do mercado, bem como a notícia de que também deverá deixar o posto o secretário-adjunto do Tesouro, José Antonio Gragnani. Responsável pela área de administração da dívida interna e externa, Gragnani confirmou sua saída, mas informou que vai permanecer no Tesouro até que seja definido o seu substituto.

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