Tesouro ainda não atuará contra volatilidade, diz Tavares

A volatilidade do mercado financeiro em junho "ainda não é suficiente para o Tesouro atuar", afirmou esta manhã o coordenador da Dívida Pública do Tesouro Nacional, Ronnie Tavares. "Não estão descartados novos movimentos de volatilidade. Temos que estar preparados para atuar de acordo com as condições do mercado", disse. Em maio, o Tesouro acabou sendo obrigado a fazer três leilões de compra e venda simultâneas de Notas do Tesouro Nacional série B (NTN-B, papéis atrelados ao IPCA) para dar liquidez aos investidores e garantir parâmetros de preços dos papéis. Devido às turbulências, provocadas pelas incertezas com os juros dos Estados Unidos, as taxas das NTN-B subiram fortemente em maio, deixando o mercado sem referência de preço e com poucas negociações. Segundo Tavares, o mercado financeiro em junho "ainda não está mais calmo do que em maio". Ele evitou comentar a divulgação hoje dos dados de inflação nos Estados Unidos e o impacto nos leilões de venda de títulos do Tesouro. O coordenador informou que cálculos conservadores indicam que o Tesouro acabou tendo um ganho de R$ 8 milhões com os três leilões de NTN-B. Ao defender os leilões, Tavares disse que o mercado secundário de títulos deve ser forte o suficiente para dar apoio ao mercado primário. Ele afirmou que, se o governo não tivesse feito os leilões, as taxas dos papéis continuariam subindo fortemente, sem liquidez nenhuma, distorcendo a curva de juros, e o Tesouro teria dificuldades para perder os seus papéis. O coordenador negou que a operação dos leilões tenha sido voltada para os investidores estrangeiros, grandes compradores desses papéis nos últimos meses depois da isenção do Imposto de Renda para o capital externo. "Não foi uma estratégia olhando para o investidor estrangeiro. Foi uma operação olhando para o mercado secundário", disse. Ele ressaltou que os investidores nacionais ainda são os maiores detentores das NTN-B (papéis de longo prazo), principalmente os fundos de pensão e as seguradoras. Para Tavares, o que ocorreu em maio com as NTN-B não vai afugentar os investidores estrangeiros.

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