Tesouro confirma captação de US$ 750 mi com o menor custo para o governo em dólar

Global 2021, vendido no mercado internacional, tem taxa de retorno de investimento de 4,547% ao ano

Adriana Fernandes, da Agência Estado,

27 de julho de 2010 | 18h01

O Tesouro Nacional conseguiu vender no mercado internacional (Europa e Estados Unidos) US$ 750 milhões do Global 2021, título da dívida externa com vencimento em 22 de janeiro de 2021. A operação foi histórica para o governo brasileiro, porque o Tesouro conseguiu vender o papel com o menor custo para o governo.

A taxa de juros de retorno para o investimento (yield) foi a mais a baixa para um papel da dívida externa atrelado ao dólar: 4,547% ao ano. Até então, o papel com a menor yield tinha sido o 2019, que foi emitido com uma taxa de retorno de 4,75% ao ano. A taxa de retorno ficou abaixo inclusive da expectativa do Tesouro Nacional, o que sinalizou uma forte demanda dos investidores pelo papel brasileiro. A expectativa do Tesouro era abaixo de 4,7% ao ano.

O Global 2021 foi vendido pelo cupom de juros de 4,875% ao ano e spread de 150 pontos-base acima do Treasury (título do Tesouro norte-americano), com vencimento em 15 de maio de 2020. A captação externa foi liberada pelos bancos Deutsche Bank e Merrill Lynch. E o preço do papel saiu a 102,707% do valor de fato. Os dólares da captação entrarão nas reservas internacionais brasileiras no próximo dia 3 de agosto, quando ocorrerá a liquidação financeira da operação. O Tesouro poderá ainda estender a oferta de US$ 75 milhões da emissão no mercado asiático.

Demanda

Na operação de captação do Global 2021, realizada nesta terça-feira, 27, pelo governo brasileiro no mercado internacional, o Tesouro Nacional identificou uma forte demanda de novos investidores, que tradicionalmente não faziam aplicação nesse tipo de papel. Esse foi um dos diferenciais identificados hoje na operação, segundo apurou a Agência Estado.

No mercado financeiro, isso é chamado de investidores "cross over", que são investidores que não são "dedicados" a aplicar em títulos brasileiros mas, em função do atrativo do papel, resolveram comprar o papel. A Agência Estado apurou que a demanda pelo título chegou próxima a US$ 6 bilhões, doze vezes maior que a oferta inicial de US$ 500 milhões. Isso permitiu um aumento da base de investidores e também obrigou os coordenadores da operação a fazer uma forte alocação das ofertas. Isso ocorre quando os investidores pedem para comprar um volume maior mas, em função da demanda, só são atendidos com um volume menor.

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