Tesouro descarta promover leilões de títulos por enquanto

O secretário do Tesouro Nacional, Carlos Kawall, afirmou hoje que não há necessidade, por enquanto, de realizar leilões de compra e venda de NTN-B (Nota do Tesouro Nacional Série B, título corrigido pelo índice de inflação IPCA), como foi feito no final de maio para atenuar a volatilidade do mercado e garantir uma porta de saída para os investidores estrangeiros. Mas ele não descartou a realização desses leilões, caso seja necessário. "Achamos que hoje há mais equilíbrio no mercado. Podemos vir a fazer, mas neste momento entendemos que não é necessário", disse. Kawall lembrou que essa possibilidade consta do cronograma de emissão de títulos do Tesouro relativo ao mês de junho. O secretário do Tesouro afirmou que as dúvidas em relação ao futuro da economia norte-americana devem continuar, enquanto os investidores não formarem um consenso sobre os rumos da economia e dos próximos movimentos do Federal Reserve (Fed, o banco central dos EUA). Segundo ele, a atual volatilidade do mercado não se acentuou "meramente" por conta do discurso do presidente do Fed, Ben Bernanke, na segunda-feira. "Na última sexta-feira, tivemos o relatório de emprego nos EUA, sugerindo menor criação de empregos e isso levou a uma inquietação adicional com relação a um cenário de baixo crescimento, mas mesmo assim com alguma pressão inflacionária, estagflação", afirmou Kawall. "Acho que esse tipo de dúvida vai continuar. Temos na semana que vem indicadores de vendas no varejo, de inflação nos EUA e reunião do Fed no final deste mês, sobre a qual não há um claro consenso no mercado se ele (Fed) fará mais um movimento (de juros) ou não. Este indicadores da semana que vem vão ajudar na formação das expectativas". Apesar de esperar a continuidade das incertezas no mercado, Kawall avalia que um cenário de inflação fora de controle ou de estagflação são pouco prováveis. "De todas as conversas que tenho tido com economistas aqui e no estrangeiro, a gente não identifica primeiramente base para um cenário de inflação fora de controle, muito menos de que haveria risco de estagflação na economia norte-americana e mundial proximamente", afirmou o secretário. Ele acrescentou ainda que a volatilidade dos mercados está associada "aos próximos movimentos do Fed que não eram antecipados dois meses atrás". Kawall também destacou que, do ponto de vista do Brasil, tem ficado claro que os fundamentos da economia estão sólidos. "A prova disso é que o BC continua com um processo de redução nos juros e as expectativas inflacionárias não foram afetadas", disse ele, lembrando que o Brasil tem se diferenciado de outros países emergentes, como a Turquia, na reação à crise, por conta, sobretudo, da posição favorável do setor externo. "Essa situação mostra a importância de ter sido prudente durante o período de tranqüilidade", concluiu Kawall. MP 281 O secretário do Tesouro Nacional disse acreditar que a MP 281, que isenta de Imposto de Renda as aplicações de investidores estrangeiros em títulos públicos, será aprovada pelo Senado antes que seu prazo seja esgotado e a medida perca a validade. "Continuamos otimistas com relação à possibilidade de votação da MP", disse Kawall. Ele pondera que não tem visto resistências sobre o mérito da medida. Destacou que a MP é importante para a administração da dívida pública e para o desenvolvimento do mercado de capitais em que a dívida é referência de preços para os demais ativos. Indagado se o governo tem um plano para enfrentar eventual não-votação da MP pelo Senado até o próximo dia 14, quarta-feira da próxima semana, véspera do feriado de Corpus Christi, ele respondeu: "Nós temos sempre que estar preparados para um cenário adverso, embora eu não acredite que seja o mais provável". Kawall não quis dizer qual seria a alternativa, caso a MP venha a caducar. "Teremos de avaliar no momento oportuno."

Agencia Estado,

07 de junho de 2006 | 12h24

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