Tesouro: parcela de título atrelado à Selic voltará a nível planejado

Em março, a fatia de títulos remunerados pela Selic estava em 32,3% da DPF, acima da banda prevista no PAF, de 28% a 32%

Eduardo Rodrigues e Renata Veríssimo, da Agência Estado ,

25 de abril de 2011 | 16h36

Apesar da participação de títulos atrelados à taxa Selic na Dívida Pública Federal total (DPF) estar acima do previsto no Plano Anual de Financiamento (PAF) para 2011, o Tesouro Nacional acredita que esses papéis devem retornar aos patamares planejados no decorrer do ano. Em março, a fatia de títulos remunerados pela Selic estava em 32,3% da DPF, acima da banda prevista no PAF, de 28% a 32%.

"Em janeiro, tivemos um vencimento expressivo de títulos prefixados e, em decorrência disso, houve um crescimento na participação dos outros papéis. Mas, com o cronograma previsto de emissões ao longo do ano, voltaremos às bandas estipuladas no PAF", afirmou o coordenador-geral de operações da Dívida Pública, Fernando Garrido.

Segundo ele, a recomposição da participação leva certo tempo porque, apesar de haver concentração nos vencimentos de determinadas modalidades de papéis, as emissões dos títulos são diluídas ao longo dos meses. O coordenador acrescentou que as operações de swap cambial realizadas pelo Banco Central, apesar de elevarem a dívida em Selic, não são significativas nem "relevantes" na análise da composição da DPF.

Garrido também avaliou que o volume de emissões da DPF em março, de R$ 48,91 bilhões, ficou dentro da média já prevista pelo Tesouro. "O mercado em abril continua tranquilo, assim como foi em março", acrescentou. Para ele, o ciclo de aumento da taxa Selic não tem influenciado de maneira determinante a dinâmica de emissões. "As expectativas sobre a taxa de juros são precificadas em diversos títulos, até mesmo nos prefixados", acrescentou.

Em relação à estabilidade da participação de não-residentes na Dívida Pública Mobiliária Federal Interna (DPMFi), Garrido destacou que já era esperada uma manutenção da fatia de títulos nas mãos de estrangeiros, apesar do aumento gradual do volume destes papéis. Para ele, o aumento de quase R$ 3 bilhões no mês é pouco significativo dado o tamanho da dívida e das posições destes investidores. "Isso pode ser explicado pela própria evolução do valor dos títulos ou mesmo pela realocação dos investimentos no País", completou. Ou seja, explicou, não necessariamente o aumento do volume de títulos nas mãos de não-residentes significa a entrada de recursos no Brasil.

Segundo o coordenador-geral de Planejamento Estratégico da Dívida Pública, Otávio Ladeira de Medeiros, o Tesouro tem trabalhado para aumentar a base de investidores em títulos públicos, com o objetivo de distribuir melhor a participação dos diversos grupos. Segundo ele, apesar de não haver metas definidas, a estratégia para evitar a concentração de papéis em um determinado grupo diminuiria o risco de ocorrer movimentos bruscos em uma mesma direção em momentos de incerteza.

Medeiros citou o caso dos bancos, cuja participação tem caído ao longos dos últimos anos, em sintonia com a queda no longo prazo da taxa básica de juros, enquanto os grupos formados por seguros e fundos de previdência têm aumentado a participação em títulos de longo prazo indexados à inflação.

 
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