Tesouro se arma para as eleições

A área econômica do governo reforçou as defesas para enfrentar as eleições deste ano. Não se espera o mesmo nervosismo de 2002, mas está tudo pronto para a remota hipótese de isso ocorrer. O Tesouro Nacional montou um "colchão" de dinheiro em caixa que lhe permitirá pagar todos os vencimentos da dívida pública durante cinco meses, mesmo se não for vendido um único papel federal nesse período. No começo do governo Lula, o colchão era suficiente para honrar três meses de dívidas. É uma medida de segurança, explicou o secretário-adjunto do Tesouro Nacional José Antonio Gragnani: "Não há como comparar o que vivemos em 2002 e a situação atual". Para ele, a grande diferença é a tranqüilidade com que os agentes do mercado encaram as eleições e o risco de ela causar mudanças drásticas na condução da economia. "Os fundamentos macroeconômicos sólidos fazem toda a diferença." É certo que, a partir do final do ano passado, começaram a surgir dúvidas em relação à política de gastos do governo, a chamada política fiscal. "Mas o que se discute é a qualidade dos gastos, não o cumprimento da meta", lembrou Gragnani. "Essa é uma discussão legítima e envolve uma agenda longa." Na pré-eleição de 2002, a política fiscal do governo de esquerda que liderava as pesquisas de opinião era uma total incógnita. Temia-se uma gastança que ignoraria metas de resultado fiscal e colocaria em risco o pagamento dos compromissos do País. Depois de 3 anos de metas cumpridas, o temor já não é o mesmo. O sucessor de Fernando Henrique Cardoso foi escolhido em 2002 em meio a uma das piores crises de confiança dos investidores. Internamente, o medo que o futuro governo não honrasse os pagamentos da dívida era tão grande que investidores só aceitavam comprar papéis com taxas de remuneração muito elevadas. Não havia procura nem para as Letras Financeiras do Tesouro (LFT), consideradas de risco praticamente zero para quem as adquire. O Tesouro cancelou dois leilões. No setor externo, a situação da dívida brasileira é mais confortável do que na eleição passada. Há dólares em caixa suficientes para honrar compromissos que vencem até a primeira metade de 2007. Até lá, vão vencer e terão de ser pagos US$ 11,6 bilhões em títulos do governo federal com credores externos. Fernando Henrique enfrentou várias crises financeiras no segundo mandato. Lula surfou numa onda de bonança internacional que lhe permitiu melhorar bastante a situação das contas externas brasileiras. Além de ter suas dívidas em títulos praticamente equacionadas para os próximos dois anos, ele conseguiu quitar as dívidas com o Fundo Monetário Internacional (FMI), de US$ 15,5 bilhões, e até o fim do ano quitará as dívidas com o Clube de Paris, de aproximadamente US$ 2,6 bilhões.

Agencia Estado,

23 Abril 2006 | 08h39

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