Teste de estresse mostra déficit de € 2 bilhões no Hypo Re

Entretanto, analistas afirmam que o resultado não é surpreendente e diz pouco sobre a situação do processo geral

Álvaro Campos, da Agência Estado,

20 de julho de 2010 | 13h44

O teste de estresse realizado com o banco alemão de empréstimos nacionalizado pelo governo Hypo Real Estate (HRE) revelou um possível déficit de capital € 2 bilhões em circunstâncias adversas, segundo pessoas próximas ao assunto informaram à Dow Jones. O HRE se torna assim o primeiro banco que parece ter sido reprovado em um teste sobre sua solidez realizado pelo Comitê de Supervisores Bancários da União Europeia, que também está analisando a saúde de outros 90 grandes bancos.

 

Entretanto, analistas afirmam que o resultado não é surpreendente e diz pouco sobre a situação do processo geral.

 

Mesmo com o cenário do sistema bancário alemão apresentando vários bancos que não conseguiram lidar com os efeitos da crise financeira, o caso do HRE é diferente. O banco entrou em colapso em 2008, após desastrosamente se expandir para o mercado imobiliário e títulos relacionados, tanto na Europa como nos Estados Unidos.

 

O banco já anunciou, mas não executou ainda, sua intenção de transferir mais da metade de seus ativos - até € 210 bilhões - para um "banco podre" que tenha o apoio do fundo de resgate para bancos da Alemanha, o SoFFin. O HRE também está esperando para retirar a última parcela de € 2 bilhões de um total de € 10 bilhões recebidos através do SoFFin, que o

banco diz que pode precisar.

 

"É muito barulho por nada", disse o analista do UniCredit Alexander Plenk. "O HRE não foi totalmente recapitalizado, e todos os ativos não essenciais, incluindo os bônus soberanos da periferia da zona do euro, ainda permanecem em suas

carteiras".

 

A pessoa familiarizada com a questão informou que o cenário adverso simulado nos testes descobriu que o banco teria um déficit de € 2 bilhões em relação à quantia que seria necessária para garantir um nível de 6% de capital Tier 1 em relação a seus ativos.

 

Não ficou claro se esse era o único "limite" a ser aplicado pelos testes. Um teste semelhante realizado nos EUA no ano passado analisou duas métricas diferentes, uma usando uma definição de capital ligeiramente mais restritiva do que a outra, para refletir a preferência dos reguladores por reservas em dinheiro e ativos totalmente integralizados como capital.

 

As autoridades reguladoras europeias têm se recusado repetidamente a especificar quais critérios estão utilizando nos testes. Isso gera suspeitas de que o nível para se definir se um banco passou ou não nos testes se tornou um tópico de discussão, nos bastidores, entre autoridades reguladoras nacionais.

 

O HRE é um dos 14 bancos alemães que foram incluídos nos testes de estresse. As autoridades supervisoras do setor bancário do país devem divulgar os resultados de cada um dos bancos após o fechamento do mercado local na sexta-feira.

O HRE tem dito que não vai comentar os resultados dos testes até que eles tenham sido divulgados.

 

Além do HRE, a maior parte da especulação tem girado em torno de quatro bancos de empréstimos estatais regionais, que também foram seriamente afetados pela crise de 2008. Muitos suspeitam que eles ainda detêm perdas não reveladas, embora os bancos neguem.

 

Desses quatro, o WestLB (de Duesseldorf) é o que está mais avançado no processo de limpar seu balanço patrimonial. O banco já transferiu um total de € 77 bilhões de seus ativos depreciados para o seu próprio "banco podre", e também recebeu uma injeção de capital de € 3 bilhões do SoFFin em seu banco remanescente.

 

Assim, o analista do UniCredit diz acreditar que o WestLB "deve muito provavelmente passar nos testes, já que até 30 de abril já tinha transferido todos os ativos não essenciais para o veículo de desconsolidação", comenta Plenk. As informações

são da Dow Jones.

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