Título vinculado ao IPCA rende o dobro do CDB em 2006

Os títulos do governo com prazos mais longos (acima de 5 anos) vinculados ao Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) renderam mais do que o dobro da rentabilidade dos papéis dos bancos (CDBs) em 2006. Segundo dados da Associação Nacional das Instituições do Mercado Financeiro (Andima), o índice IMA-B 5+, (que afere a rentabilidade da carteira composta por NTN-Bs corrigidas pelo IPCA com prazos acima de cinco anos), registrou variação de 28,34% em 2006, enquanto o rendimento acumulado dos CDBs atingiu 12,31%. Apenas os índices de renda variável renderam mais do que os papéis do governo, com o índice Bovespa subindo 32,93% e o IBrX acumulando variação de 36,06%. O indicador DI, utilizado como referencial da maioria das operações no mercado de renda fixa, acumulou variação de 15,03% no ano passado, ligeiramente abaixo dos 15,08% da taxa Selic, que afere os custos de financiamento dos títulos públicos por parte do Banco Central. A rentabilidade da poupança no ano passado somou 8,33%, ainda segundo a Andima. As NTN-Bs mais curtas, com prazos de vencimento inferior a cinco anos, renderam 20,81% em 2006, fazendo com que o índice composto (IMA-B), incluindo todas as NTN-Bs em circulação no mercado, registrasse variação de 22,10% no ano passado. Na avaliação de técnicos do mercado financeiro, esse comportamento reflete as expectativas de que a taxa de inflação continuará controlada nos próximos anos. "Os papéis mais longos são mais voláteis, com os preços oscilando mais. No caso das NTN-Bs, há o vínculo com o IPCA, índice de preços que tem oscilado pouco", explicam. Os índices para aferir a rentabilidade dos papéis do governo foram lançados pela Andima no ano passado para dar mais transparência ao mercado de títulos públicos no País, já que as negociações no mercado secundário desses papéis ainda são muito baixas. Para isso, a entidade construiu carteiras teóricas desses papéis e acompanha as cotações no dia-a-dia com base em informações fornecidas por instituições financeiras especializadas na negociação com os papéis. Os títulos públicos vinculados ao Índice Geral de Preços - Mercado (IGP-M), as NTN-C, também deram excelentes retornos aos seus titulares em 2006, especialmente os papéis mais longos. Esse comportamento foi captado pelo índice IMA-C 5+, que afere a rentabilidade da carteira teórica desses papéis em circulação no mercado. As NTN-C com prazos inferiores a cinco anos, aferidas pelo índice IMA-C 5, registraram variação de 17,12%, enquanto o índice geral (que inclui os papéis curtos e longos) contabilizou ganhos de 20,59%. A queda dos preços (e aumento da rentabilidade) dos papéis vinculados ao IGP-M foi menor do que a registrada pelos papéis indexados ao IPCA. Os títulos públicos com taxas pré-fixadas (LTNs e NTN-F) também deram bom retorno aos investidores em 2006, acumulando rentabilidade de 18,31%. O Tesouro Nacional tem tentado ampliar a venda desses títulos e ontem colocou papéis com 10 anos de prazo, com taxas de 12,50% ao ano. Considerando que a taxa Selic atual está em 13,25% ao ano, há um claro sinal por parte do mercado financeiro de que as taxas tendem a continuar em queda nos próximos anos. O volume colocado foi pequeno, em torno de R$ 270 milhões, mas o governo comemorou como um sinal positivo quanto à tendência dos juros. Os papéis do Tesouro que menos renderam em 2006 foram as LFTs, cujas taxas são fixadas no dia-a-dia pelo Banco Central, com base nas indicações da taxa Selic, fixadas pelo Comitê de Política Monetária (Copom). Esses títulos renderam 15,25% em 2006, conforme acompanhamento da Andima. Para o Tesouro Nacional, as LFTs mostraram-se a forma mais "barata" de financiamento, mas o governo está reduzindo gradualmente o volume desses papéis no mercado. Esses títulos já representaram mais de 50% do estoque total da dívida pública, mas caíram abaixo de 40% no final do ano passado.

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