Títulos alemães e de Portugal são bem recebidos

"O resultado (do leilão alemão) não altera o cenário atual, onde a demanda por títulos de elevada qualidade continua forte", disse o analista da Nordea, Jan von Gerich

Cynthia Decloedt, da Agência Estado,

18 de agosto de 2010 | 11h31

O lançamento de uma nova série de títulos de 10 anos pelo governo da Alemanha teve recepção convincente nesta quarta-feira, indicando demanda pela segurança e por ativos de alta qualidade, apesar de o forte leilão de ontem de títulos do governo da Irlanda ter conduzido as taxas alemãs para acima das mínimas históricas.

O leilão de títulos do curto prazo de Portugal, por sua vez, teve um resultado misto, contrastando com as fortes vendas de títulos dos governos da Irlanda e da Espanha ontem. Fora da zona do euro, a República Tcheca recebeu demanda mais que duas vezes superior à oferta de títulos de 14 anos, vendidos a uma taxa extremamente inferior ao leilão de mesmo vencimento ocorrido em junho.

"O resultado (do leilão alemão) não altera o cenário atual, onde a demanda por títulos de elevada qualidade continua forte", disse o analista da Nordea, Jan von Gerich.

A Alemanha ofereceu 6 bilhões de euros em novos títulos com vencimento em setembro de 2020, com cupom de 2,25%, o mais baixo em registro entre os títulos do governo do país. O Bundesbank, que conduz os leilões de dívida do governo, vendeu 5,01 bilhões de euros de tais papéis, com uma média entre as ofertas feitas e aceitas de 1,6 e ao yield médio de 2,37%, em linha com os níveis praticados no mercado secundário.

"O resultado do leilão foi robusto e muito bom", disse o porta-voz da Agência de Financiamento da Alemanha, Joerg Mueller. "Também reflete a tendência prevalecente em direção à qualidade", acrescentou.

Pela primeira vez, os novos papéis de 10 anos vencem em setembro, contrariando a prática usual de estabelecer vencimentos em janeiro e julho. Os papéis diferem também de outras séries de 10 anos em relação ao fato de que serão rolados apenas duas vezes após o lançamento. Isso implica num menor montante em circulação em relação a outras linhas de títulos, oferecendo um potencial de valorização aos papéis.

Portugal vendeu 1,525 bilhão de euros em papéis de três meses e de 12 meses, acima do total de 1,350 bilhão pretendidos. Mas foram os papéis de três meses que atraíram maior demanda, projetando para baixo o yield da operação em relação ao leilão feito em junho para este mesmo vencimento. Já os papéis de 12 meses não conseguiram agregar um volume grande de interessados e o yield subiu para 2,727%, de 2,394% do leilão realizado há duas semanas.

"O leilão não foi tão bom quanto o da Irlanda e o da Espanha, ontem, mas também não pode ser considerado um desastre", afirmou o estrategista do Nordea.

A forte demanda pelos papéis da República Tcheca refletiu a boa impressão causada pela decisão do governo de reduzir o déficit fiscal. As informações são da Dow Jones.

Tudo o que sabemos sobre:
PortugalAlemanhatítulos

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.