Títulos públicos com ainda mais segurança?

Pode parecer impossível, mas a negociação com títulos públicos, investimento com o menor risco do mercado financeiro, vai contar com ainda mais segurança. Até o fim do ano deve ser lançado um sistema com informações apuradas ao longo do dia sobre preços e volumes negociados no mercado secundário de títulos públicos federais. Dessa forma, o investidor - desde o pequeno, que compra os papéis via Tesouro Direto, até grandes fundos de pensão, que investem suas grandes reservas prioritariamente em títulos federais - vão poder acompanhar mais de perto o mercado e decidir a hora de comprar mais papéis ou de vender. Hoje, alguns papéis de menor liquidez no mercado secundário - quando os investidores negociam entre si ou ainda revendem papéis para o governo -, especialmente as Notas do Tesouro Nacional série B (as NTN-B, que são corrigidas pelo IPCA), carecem de informações atualizadas sobre preços e volumes, o que muitas vezes prejudica a formação dos preços e gera distorções que limitam a participação dos investidores nesse mercado. No estresse observado no final de maio no segmento de renda fixa, por exemplo, a disparidade de preços das NTN-B foi enorme, o que levou o Tesouro Nacional a ofertar leilões consecutivos de compra e venda do papel. Dessa forma, garantiu que todos os participantes do mercado pudessem ampliar ou reduzir suas aplicações e, o que é mais importante, conseguiu formar um preço de referência para os títulos. Outros papéis, como as Letras do Tesouro Nacional (as LTN, que são prefixadas), também carecem de informações atualizadas, mas conseguem ter um preço de referência mais apurado, já que seguem de perto as taxas dos Depósitos Interfinanceiros (Dis) de um dia, negociados na Bolsa de Mercadorias & Futuros (BM&F). Hoje, os sistemas de informação disponíveis para esses papéis (Sisbex, da BM&F, e CetipNet, da Câmara de Custódia e Liquidação - Cetip) se referem a ambientes de negócios em que, por motivos específicos, há poucas negociações. O Banco Central, de acordo com o chefe do Departamento de Operações de Mercado Aberto do Banco Central (Demab), Ivan de Oliveira Lima, afirmou ontem em reunião com gestores e operadores do mercado de renda fixa, realizada na sede paulista da Andima, que o BC trabalha para disponibilizar informações online dos negócios com títulos registrados na Selic. "A idéia é criar uma página na qual se escolherá o título, o vencimento, e o preço médio negociado, o preço mínimo, preço máximo e médio, o último preço, a quantidade e o volume negociados e ainda o número de negócios até aquele momento", disse o chefe do Demab, lembrando que essa informação trará referência aos negócios registrados no sistema Selic e que, portanto, terão alguma defasagem. "O fato é que mais transparência incentiva uma maior liquidez nesse mercado, e isso é extremamente importante", destacou. A Andima, que apresentou ontem um novo sistema de comparação de taxas para os títulos negociados no mercado secundário (chamado "Compare"), pretende reunir todas essa plataformas em um único ambiente de informação. "A idéia é oferecer as referências de preços também durante o dia. Essa é uma informação que faz muita falta hoje no mercado", explicou o diretor da Andima, Reinaldo Le Grazie. O sistema formatará uma espécie de "túnel" de preços no mercado. Os negócios que estiverem muito fora dessa faixa, explicou Le Grazie, serão avaliados pelo Comitê de Ética da entidade. "Hoje ainda temos muitas operações fora do túnel, que a gente não explica", afirmou. Uma maior lisura na informação sobre preços dos papéis a toda hora do dia, segundo ele, significa também uma maior liquidez no mercado secundário. Hoje há potenciais investidores que preferem ficar de fora do mercado secundário, explicou Le Grazie, para não correrem riscos de comprar papéis muito fora dos preços médios naquele momento - e isso resultar em problemas com os órgãos reguladores. No caso dos investidores institucionais, esse problema é visível. A expectativa da Andima é a de concentrar essas informações no segundo semestre desse ano.

Agencia Estado,

12 de junho de 2006 | 07h00

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