Diego Vara/Reuters
Diego Vara/Reuters

Top Picks: Ações da Petrobras devem seguir voláteis após aumento dos combustíveis

Incertezas geradas pela invasão da Ucrânia pela Rússia associadas à possibilidade de intervenção política para evitar o aumento dos preços no mercado local provocaram muitas oscilações

Marcia Furlan, O Estado de S.Paulo

11 de março de 2022 | 21h00

Apesar do anúncio de reajuste dos preços da gasolina, diesel e gás de cozinha na última quinta-feira e da aprovação na Câmara e no Senado do projeto que muda a cobrança do ICMS sobre combustíveis, as expectativas são de que as ações da Petrobras continuem a registrar volatilidade.

O papel vinha em uma trajetória ascendente motivada por um conjunto de fatores, que incluía os resultados apresentados pela empresa nos últimos meses, a política de pagamento de dividendos, além da valorização do petróleo no mercado internacional. Mas as incertezas geradas pela invasão da Ucrânia pela Rússia associadas à possibilidade de intervenção política para evitar o aumento dos preços no mercado local provocaram muitas oscilações. A ação PN iniciou o mês de março na casa dos R$ 34 e chegou nesta sexta-feira a R$ 33, mas passou por um mergulho a R$ 31,80 na última segunda-feira.

A avaliação de analistas é que o cenário ainda está conturbado e o sobe e desce dos papéis deve se manter. Não há um sinal claro sobre o desfecho do conflito no Leste Europeu e, por consequência, dos rumos da cotação do petróleo. E, internamente, a pressão deve persistir uma vez que apenas uma parte da defasagem dos preços internos em relação aos internacionais foi repassada. Há um saldo ainda a ser aplicado.

O economista-chefe do Modalmais, Alvaro Bandeira, avalia que aprovação da PL dos combustíveis pode amenizar o foco sobre a Petrobras e acredita que a empresa foi bem blindada na gestão passada contra interferências. Mas ressalta que não se pode desprezar os ruídos políticos de um ano eleitoral que vão mexer com as ações sempre que houver algum estresse no mercado internacional.

Pedro Galdi, da Mirae Asset, avaliou que o reajuste aplicado foi grande, porém condizente com a diferença entre os valores de fora e os praticados aqui. Na sua opinião, está claro que o governo não deve mudar o critério de preços, até porque havia pequenos concorrentes da Petrobras vendendo o mesmo produto já reajustado.

Ele lembra que o dilema do aumento do petróleo e do gás não é exclusividade do Brasil, haja vista a dificuldade dos governos europeus com a elevação desses custos nos últimos meses e os impactos na inflação de quase todos os países. "Cabe ao Congresso e ao governo acharem medidas pontuais para ressarcir a Petrobras e não repassar aumento de preços a população", afirma.

Para Bandeira, apesar desse cenário, a Petrobras segue sendo boa alternativa de investimentos e deve continuar remunerando bem seus acionistas.

Com relação às recomendações de Top Picks da próxima semana, a Ativa Investimentos trocou quatro ações de sua carteira. Saíram Fleury ON, Marfrig ON, Americanas ON e Inter Unit e entraram Bradesco PN, Eletrobras PNB, Magazine Luiza ON e Petrorio ON. MRV ON foi mantida.

O BB Investimentos deixou Bradespar PN e Taesa Unit na carteira, mas trocou CBA ON, Isa Cteep PN e Kepler Weber ON por Copel PNB, Carrefour ON e SLC Agrícola ON.

A Mirae Asset substituiu o Banco do Brasil ON pela Taesa Unit e manteve Gerdau PN, Isa Cteep PN, Petrobras PN e Vale ON.

A carteira da MyCap teve três alterações: saíram Cosan ON, Petrorio ON e Sanepar Unit e entraram Rede D'Or ON, Wiz ON e Transmissão Paulista PN. Permaneceram Gerdau PN e Marcopolo PN.

A Órama optou por retirar da carteira Kepler Weber ON. Em seu lugar colocou Telefônica Brasil ON. As demais ficaram: Taesa Unit, Bradespar PN, BrasilAgro ON e CPFL ON.

A Planner fez apenas uma alteração. Tirou JHSF ON para colocar Petrobras PN. Copel PNB, Ferbasa PN, Gerdau PN e Vale ON foram mantidas.

A XP manteve Bradesco PN, Petrobras PN, Suzano ON e Weg ON em sua carteira e trocou apenas Light PN por Copel PNB. 

 

 

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