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Top Picks: Crise hídrica pressionará margens de geradoras e distribuidoras de energia

Empresas de geração tendem a ser as mais impactadas porque terão custo de produção maior, com reflexo nas margens de lucro e aumento de preços ao consumidor

Marcia Furlan, O Estado de S.Paulo

27 de agosto de 2021 | 21h00

A crise hídrica e os efeitos sobre o custo de energia devem se refletir sobre os resultados das empresas do setor. Nesta semana, o governo anunciou medidas para tentar fazer frente ao aumento dos custos nos próximos meses e anunciou que órgãos públicos deverão reduzir o consumo em até 20%. Também afirmou que criará um programa de bônus ao cliente residencial que conseguir economizar, mas ainda não detalhou como isso vai acontecer e negou se tratar de racionamento.

Na opinião de analistas, as empresas de geração tendem a ser as mais impactadas pela pior crise hídrica dos últimos 91 anos. Isso porque terão custo de produção maior, com reflexo nas margens de lucro e aumento de preços ao consumidor. "Além da perda de receita devido ao menor volume gerado por causa da escassez de água, os custos serão maiores, uma vez que elas terão de ir ao mercado livre para comprar energia", diz o analista Alexandre Marques, da Elite Investimentos. A exceção ficaria com as geradoras térmicas, que ganham com o aumento de volume transacionado.

Já as distribuidoras também podem sofrer com a redução do consumo, já que os usuários tendem a gastar menos em razão da conta de luz mais cara. Malek Zein, da MyCap, diz que as distribuidoras podem ainda ver reflexos negativos no lucro, em razão do possível aumento da inadimplência, por aqueles consumidores que simplesmente não conseguirão pagar a conta.

Apenas as transmissoras estariam em uma situação menos crítica, uma vez que as receitas são reajustadas pela inflação e ela não dependem do volume nem do preço da energia transmitida. "Talvez somente uma grande crise no sistema pudesse gerar consequências para as transmissoras", diz Marques.

Os analistas são unânimes, no entanto, em considerar que todo o sistema produtivo será prejudicado. Além, é claro, do consumidor residencial, que deve ver mais elevações das tarifas da bandeira vermelha.

Haverá maior pressão sobre custos de produtos e serviços, com provável repasse aos preços finais, com reflexos ainda na inflação. Se, como consequência, o Banco Central tiver de recorrer a novos aumentos da taxa de juros, haverá impacto direto no valor das empresas, diz Malek.

A redução, compulsória ou espontânea, do consumo e da capacidade produtiva do País pode ter efeito ainda sobre o PIB do quarto trimestre e do primeiro trimestre de 2022, segundo Henrique Esteter, da Guide Investimentos. "Ainda precisaremos observar as condições meteorológicas e os incentivos governamentais nos próximos meses, mas já é possível afirmar que empresas dos setores industriais, energéticos e siderúrgicos podem ter capacidade produtiva ociosa ou forte aumento nos custos", diz.

Com relação à composição das carteiras para a próxima semana, a Ativa investimentos manteve duas ações entre suas Top Picks, Ambipar ON e BRF ON. Trocou SulAmérica Unit, Valid ON e Vamos ON por Inter Unit, Tegma ON e Usiminas PNA.

O banco Daycoval trocou apenas uma ação: tirou BB Seguridade ON e colocou Eztec ON. As demais ficaram: Assaí ON, Hapvida ON, Transmissão Paulista PN e Vale ON.

Na carteira da Elite, foram mantidas as ações Alpargatas ON, Inter Unit e M. Dias Branco ON e retiradas Méliuz ON e Vale ON. No lugar, entraram Weg ON e Petrobras PN.

A Guide decidiu manter Banco do Brasil ON, Marfrig ON e Vale ON e retirar ETF S&P IVVB11 e Rede D'Or ON, para colocar no lugar 3R Petroleum ON e Dasa ON.

A Mirae trocou duas ações: saíram Randon PN e Santos Brasil ON e entraram Gerdau PN e Petrobras PN. Permaneceram Inter Unit, Romi ON e Vale ON.

Da seleção da MyCap, saíram Natura ON e B3 ON, substituídas por São Martinho ON e SulAmérica Unit. Ficaram Ecorodovias ON, Inter Unit e Vamos ON.

Na carteira da Órama apenas entrou Vale ON no lugar de Totvs ON. Permaneceram BTG Pactual Unit, Petz ON, Porto Seguro ON e Simpar ON.

A Planner manteve Minerva ON, Petz ON e Telefonica Brasil ON e trocou Bradesco PN e BB Seguridade ON por Cyrela On e Sinqia ON.

A ação ON da Weg foi a única a sair da carteira da Terra Investimentos, que colocou no lugar Bradesco PN. Permaneceram B3 ON, Fleury ON, Klabin Unit e Rumo ON.

A XP retirou Taesa ON e Localiza ON e substituiu por Itaú ON e MRV ON. Petrobras PN, SulAmérica Unit e Gerdau PN ficaram.

 

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