Ueslei Marcelino/Reuters
Ueslei Marcelino/Reuters

Top Picks: Empresas de óleo e gás, frigoríficos e bancos foram destaques no 4º trimestre de 2021

Algumas companhias mostraram resiliência frente ao cenário desafiador, em que os efeitos da pandemia sobre a economia foram determinantes

Marcia Furlan, O Estado de S.Paulo

25 de março de 2022 | 21h00

A poucos dias do término da safra de balanços das empresas de capital aberto referentes ao quarto trimestre de 2021, já é possível ter uma ideia do desempenho dos setores no período.

Na opinião de analistas consultados pelo Broadcast, algumas companhias mostraram resiliência frente ao cenário desafiador, em que os efeitos da pandemia sobre a economia foram determinantes, como ocorre ainda este ano, sobretudo inflação, desemprego, juros altos e baixo consumo. 

Segundo levantamento da Guide Investimentos, os números do quarto trimestre vieram mistos, com pouco mais de 50% das companhias que divulgaram resultados até o momento acima do esperado, diferentemente do terceiro trimestre, em que quase 70% surpreenderam positivamente.

Entre as que conseguiram reagir bem, estão as empresas de proteína animal (frigoríficos) principalmente aquelas com exposição aos EUA, como JBS e Marfrig, que apresentaram margens sólidas, permitindo a distribuição de dividendos acima das estimativas. Apenas a BRF, que tem uma dependência maior do mercado doméstico e um portfólio voltado para frangos e suínos, sofreu com a alta dos preços de grãos, que é o seu principal custo de produção.

Também não deixaram a desejar os bancos. Ricardo Peretti, estrategista de ações da Santander Corretora, destacou o Itaú, cujo lucro líquido de R$ 7,2 bilhões ficou 33% acima do quarto trimestre de 2020. "Apesar dos resultados mais fracos em trading, notamos a recuperação do segmento de seguros e o crescimento de crédito, principalmente as linhas de cartões de crédito e financiamento de veículos", afirmou.

Obviamente também foram muito bem as empresas de óleo e gás, graças ao preço do barril de petróleo, que ficou na faixa de US$ 75 a US$ 80 no fim do ano passado, aí incluída a Petrobras. Peretti e Rodrigo Crespi, analista da Guide Investimentos, destacaram o resultado da PetroRio que, além de se beneficiar dos preços mais altos do Brent, apresentou melhorias operacionais, resultando na diminuição dos custos e no aumento da produção. A companhia reportou o seu menor custo de extração no período (lifting cost) e registrou Ebitda acima de R$ 1,2 bilhão.

Peretti destacou também o desempenho surpreendente dos shoppings no trimestre, quando apresentaram receitas de aluguel e níveis de ocupação acima dos patamares pré-covid, apesar de a curva longa de juros continuar pressionando alguns nomes do setor.

Já na outra ponta, de resultados não tão bons, estão os setores mais cíclicos e de tecnologia, que sofreram com o cenário macroeconômico, sobretudo as empresas de e-commerce, prejudicadas adicionalmente pela base de comparação, uma vez que exibiram performance significativa em 2020, como Magazine Luiza e Via. Importante salientar que as varejistas tiveram desempenho misto.

Enquanto Marisa, por exemplo, registrou prejuízo e interrompeu um movimento de recuperação, Lojas Renner e Arezzo mostraram maior resistência ao longo de 2021, conseguindo inclusive um desempenho em linha com o índice Bovespa.

Entre as construtoras, o analista Pedro Galdi, da Mirae Asset, aponta que uma parcela importante mostrou abaixo do esperado, por questões de estrutura de capital, no resultado financeiro, impactando o lucro. A Tenda foi a que mais ficou fora da expectativa, segundo ele. A corretora Santander também chamou a atenção para os números da empresa, que apresentou revisões nos orçamentos de obra, algo não previsto pelos investidores. Como consequência, reportou uma margem bruta negativa de 7,5% e receita também aquém das expectativas.

Além desses setores, na ponta negativa, Rodrigo Crespi destacou o de mineração e siderurgia, que havia sido um dos destaques positivos no terceiro trimestre. Porém, foi fortemente impactado pela queda abrupta do preço do minério de ferro, em virtude de medidas adotadas pela China em relação à poluição, além da crise da construtora Evergrande.

Por fim, o setor de Saúde se manteve pressionado pelas altas taxas de sinistralidade dos planos de saúde, ainda em consequência da pandemia. "Apesar dos resultados de algumas empresas do setor apresentarem um aumento da base de membros, o ticket médio no 4º trimestre mostrou uma queda, impactando diretamente no lucro líquido das companhias", afirmou Peretti.

Com relação às recomendações de Top Picks para a próxima semana, o BB Investimentos retirou Bradespar PN, Klabin Unit e Unipar PNB de sua carteira, substituindo por B3 ON, Cyrela ON e Kepler Weber ON. Permaneceram Equatorial Energia ON e Taesa Unit.

A Elite Investimentos decidiu manter Marfrig ON, Movida ON e Vale ON e trocar Cemig PN e PetroRio ON por Bradesco PN e Petrobras PN.

A Guide manteve Alupar Unit, Itaú Unibanco PN, Petrobras PN e Vale ON e trocou Grupo Soma ON por Vibra Energia ON.

A Mirae Asset ficou apenas com Gerdau PN e Cteep PN em sua carteira. Saíram Petrobras PN, Taesa Unit e Vale ON para entrar Bradespar PN, Itaú PN e JHSF ON.

A MyCap fez três trocas: Rede D'Or ON, Wiz ON e Cteep PN deram lugar a Fleury ON, Hermes Pardini ON e Porto Seguro ON. CSN ON e Direcional ON ficaram.

A Órama deixou Cielo ON, Taesa Unit e Telefônica Brasil ON na carteira. Saíram BrasilAgro ON e EDP Brasil ON para entrar Cogna ON e Kepler Weber ON.

A Planner manteve Petrobras ON e Vale ON e trocou Copel PNB, Ferbasa PN e Gerdau PN por Ânima ON, Bradesco PN e Fleury ON.

Da carteira da XP só saiu Marfrig ON e entrou Porto Seguro ON. Ficaram Bradesco PN, Copel PNB, Petrobras PN e Vale ON. 

 

 

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