Werther Santana/Estadão
Werther Santana/Estadão

Top Picks: Exportadoras seguem como favoritas para enfrentar volatilidade do câmbio até 2022

Companhias exportadoras de commodities, minerais, siderurgia e proteínas devem ser as maiores beneficiadas pelas oscilações do dólar até o ano que vem, apontam especialistas

Luísa Laval, O Estado de S.Paulo

08 de julho de 2021 | 21h00

O dólar enfrentou forte volatilidade nas últimas semanas, com projeções de altas de juros nacionais e internacionais de um lado e com receio do risco político para o País no outro. A moeda americana atingiu a mínima do ano no dia 25 de junho, negociada a R$ 4,8937, mas retomou o patamar acima de R$ 5,20 nesta semana, com fechamento de R$ 5,2554 nesta quinta-feira, em alta de 0,29%.

Casas de análise apontam que as oscilações devem ser uma constante no mercado até as eleições presidenciais de 2022, o que beneficia principalmente ações ligadas à exportação, que se aproveitam atualmente do boom da demanda por commodities no mercado internacional.

Para Álvaro Bandeira, economista-chefe do banco Modalmais, mesmo com a volatilidade da taxa cambial, nada indica que as pressões a levem muito para cima ou para baixo do nível atual, já que o Banco Central está agindo para manter o mercado operacional por meio da compra e venda de dólares. "Permanecem as indicações de empresas ligadas ao segmento exportador de commodities, minerais, siderurgia e proteínas. Ao mesmo tempo, cuidados são requeridos para as empresas muito endividadas em moedas fortes", avalia.

O segmento bancário também pode ser beneficiado, principalmente com operações de tesourarias e novos empréstimos, considerando a abertura da economia.

A MyCap também acredita que os setores e companhias que mais se beneficiam com a apreciação do dólar frente ao real são as exportadoras, especialmente de commodities, além de empresas como a Embraer e a Weg. "Na ponta oposta, as companhias que possuem gastos em dólar, como aéreas ou varejistas com concentração de vendas de produtos importados, sairão prejudicadas", afirma a corretora.

Por outro lado, parte do mercado acredita que a oscilação recente do câmbio está relacionada à perspectiva de alta da Selic. A Órama, por exemplo, aponta que o baixo patamar da taxa motivou operações de arbitragem, que não têm mais perspectiva de se manterem atrativas. Nesse caso, as importadoras seriam beneficiadas pelo cenário de câmbio, enquanto as exportadoras seriam prejudicadas.

"Em contrapartida, a maioria dos exportadores praticam hedge de moeda (proteção contra variação de câmbio), tanto por meio de dívida quanto por derivativos financeiros. Empresas exportadoras que não praticam hedge, como a Weg, terão sua lucratividade deteriorada", destaca Phil Soares, chefe de análise de ações na Órama.

Entre as mudanças nas carteiras para a próxima semana, a Ativa fez apenas uma: incluiu Lojas Renner ON, enquanto retirou Telefônica Brasil. A Guide Investimentos também realizou uma troca: tirou Banco do Brasil ON e incluiu Klabin Unit. Por sua vez, a MyCap fez duas alterações, com a entrada de Ânima ON e Petz ON e a saída de B3 ON e Via Varejo ON.

A Necton fez três mudanças na carteira, adicionando Espaço Laser ON, PetroRio ON e Suzano ON, enquanto retirou JBS ON, Multiplan ON e Vale ON. A Órama fez uma troca: no lugar de SLC Agrícola ON, adicionou Petz ON. Já a Planner retirou CSN Mineração ON e Randon PN e acrescentou Bradesco PN e Transmissão Paulista PN.

Diversas corretoras, como a XP, optaram por não realizar trocas na semana devido à semana mais curta para a negociação de ativos, já que não haverá negociação na B3 no feriado municipal desta sexta-feira e como reflexo da segunda-feira, 4, esvaziada pelo feriado dos EUA de ação de graças, que diminuiu a liquidez dos mercados.

O Banco Daycoval incluiu Bradesco PN, Suzano ON, Ômega ON, ao mesmo tempo que tirou Bradespar PN, CCR ON e Lojas Renner ON.

 

 

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