Sergio Moraes/Reuters
Sergio Moraes/Reuters

Top Picks: Novos nomes para conselho da Petrobras geram desconforto no mercado 

Nova composição indica que o colegiado terá uma equipe mais política do que técnica, ao contrário do que ocorreu nas outras trocas de comando da empresa

Luísa Laval e Denise Luna, O Estado de S.Paulo

10 de junho de 2022 | 21h00

A renovação do Conselho de Administração da Petrobras surpreendeu negativamente o mercado na última quinta-feira, 8, já que a nova composição indica que o colegiado terá uma equipe mais política do que técnica, ao contrário do que ocorreu nas outras trocas de comando da empresa. Embora analistas defendam que os fundamentos da empresa continuam preservados, eles esperam menos reajustes até o fim do ano.

A notícia pesou no desempenho da estatal na Bolsa: por volta de 15h, os papéis PN da empresa recuavam 2,0% e os ON cediam 1,89%.

"Esperávamos a manutenção de mais nomes (do atual Conselho). Trata-se de uma lista mais política do que técnica, nomes mais de Centro, alinhados à corrente de pensamento atual do controlador (governo)", avalia Ilan Arbetman, analista da Ativa Investimentos.

Incômodo para o mercado

O BTG Pactual aponta que a nova lista de nomes pode ser um sinal de que mudanças mais profundas possam ocorrer na empresa, ainda que não haja alterações na política de preços.

"Para nós, apenas o fato de o governo estar indicando seis nomes que não fazem parte do Conselho atualmente (incluindo um novo presidente), corrobora nossa visão de que mudanças mais profundas podem estar em andamento", dizem Pedro Soares e Thiago Duarte, analistas do banco.

O que mais chamou a atenção do mercado foi o fato de a União ter indicado nomes fora do mercado de petróleo e mais próximos da equipe econômica e do ministro da Casa Civil, Ciro Nogueira (PP-PI).

"Esperamos que o ruído político em torno da sua política de preços permaneça vivo pelo menos até outubro, o que pode tornar mais difícil para os investidores prever quais serão os próximos (se houver) movimentos de preços dos combustíveis", sinaliza o BTG.

Em relação ao desempenho das ações, os analistas apontam que a incerteza impede que os papéis da estatal negociem totalmente em linha com os fundamentos da companhia. O BTG, por exemplo, prefere apostar nas petroleiras menores, para aproveitar a alta valorização do petróleo no mercado internacional.

Provável manutenção da defasagem de preços

"Tem que ficar de olho no preço do petróleo e no câmbio porque está claro o incômodo do governo com a forma como os preços estão afetando a economia e ele quer ter um controle maior sobre isso. Não vejo nenhuma sinalização de ruptura, não há espaço para isso, mas o governo vai fazer de tudo para evitar novos aumentos", previu. "A tendência é de que os preços (dos combustíveis) fiquem defasados até o final do ano", conclui Arbetman, da Ativa Investimentos.

Entre as mudanças nas carteiras semanais, o BB Investimentos adicionou Alliar ON, Bradespar PN e Taesa Unit, substituindo Kepler Weber ON, Natura ON e Vale ON.

A Ativa Investimentos alterou toda a sua carteira: retirou Embraer ON, Magazine Luiza ON, Weg ON, Sabesp ON e BrasilAgro ON, enquanto selecionou SLC Agrícola ON, Vale ON, CSN ON, Lojas Renner ON e BTG Pactual Unit.

Por sua vez, a CM Capital fez quatro mudanças: incluiu Bradespar PN, JBS ON, Petrobras PN e Taesa Unit no lugar de Vale ON, Itaú Unibanco ON, PetroRio ON e Eletrobras ON.

O Daycoval retirou Equatorial ON e Lojas Renner ON, enquanto incluiu JBS ON e SulAmérica Unit.

A MyCap indicou uma alteração, adicionando Vale ON no lugar de Cyrela ON.

Para a próxima semana, a Órama optou por retirar da carteira Hypera ON, Natura ON, Simpar ON e São Martinho ON. No lugar, entraram Blau ON, Minerva ON, Telefônica Brasil ON e Suzano ON.

Por fim, a Planner alterou toda a carteira semanal, ou seja, retirou Ferbasa PN, BrMalls ON, Log ON, BrasilAgro ON e Usiminas PNA. Foram selecionadas Bradespar PN, Intelbras ON, Randon ON, Telefônica Brasil ON e Totvs ON. 

 

 

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