Tiago Queiroz/ Estadão
Tiago Queiroz/ Estadão

Top Picks: Sem aprovação da PEC dos precatórios, Bolsa pode chegar perto dos 100 mil pontos

Conturbado contexto econômico e político não deixa espaço para previsões muito otimistas

Marcia Furlan, O Estado de S.Paulo

19 de novembro de 2021 | 21h00

Ao fim de mais uma semana de perdas, em que o Ibovespa quase rompeu os 102 mil pontos, uma das questões que se coloca é qual o piso para a Bolsa de Valores este ano. O conturbado contexto econômico e político não deixa espaço para previsões muito otimistas e o desfecho da PEC dos precatórios deve ser o fiel da balança entre um cenário ruim ou menos ruim.

O líder do governo no Senado, Fernando Bezerra Coelho (MDB-PE), admitiu que avalia fatiar a matéria, a fim de incorporar sugestões de senadores. Isso ajudaria a ampliar o apoio da proposta na Casa, já que os 49 votos necessários ainda não foram alcançados, conforme apurou o Estadão/Broadcast.

Apesar de não ser uma boa solução, a aprovação da matéria é vista pelo mercado como uma saída melhor frente a possíveis alterações que o texto possa sofrer, que causariam um mal maior à credibilidade fiscal do País. Porém, segundo Rodrigo Crespi, especialista de mercado da Guide Investimentos, não é esse cenário que se desenha, e sim o da PEC travando no Senado, em meio ao um ambiente econômico deteriorado, motivado pela inflação local e global e pelas turbulências na China. "Os dados nas principais economias apontam para uma inflação global mais persistente do que transitória, o que deve ajudar a manter o IPCA pressionado, enquanto o aperto monetário nesses países configura um cenário desafiador para economias emergentes", afirma. Na opinião da Guide, o Ibovespa pode momentaneamente cair abaixo dos 100 mil pontos até o fim do ano, mas a previsão é que termine 2021 por volta dos 110 mil pontos.

Para Vitor Suzaki, analista do Banco Daycoval, o piso dos 100 mil pontos pode ser rompido caso a PEC não seja aprovada, porque sinaliza uma deterioração fiscal adicional em ano eleitoral e com maiores barganhas políticas. Ele argumenta que o Ibovespa já está descolado de outras bolsas globais, não somente as de países desenvolvidos, que estão próximas às máximas históricas, como também de países similares, como México ou Rússia.

As avaliações do ModalMais não consideram a queda do Ibovespa abaixo dos 100.000 pontos neste ano. Mas, de acordo com o economista-chefe Álvaro Bandeira, essa barreira pode eventualmente ser rompida em momentos de maior estresse. No cenário atual, ressalta, com a busca dos investidores por proteção e a taxa Selic em alta, prosseguem os resgates em fundos, que levam os gestores a vendas precipitadas, contribuindo para derrubar ainda mais os preços dos ativos.

Na ponta oposta, caso a PEC passe pelo Senado, as incertezas que pairam sobre o mercado financeiro poderiam arrefecer, tornando o fim do ano menos negativo, segundo os analistas.

Uma inflação mais controlada que permitisse ao Banco Central afrouxar a política de juros no próximo ano também poderia dar fôlego à bolsa.

O BB Investimentos espera alguma recuperação da bolsa em dezembro, o que a faria encerrar o ano de 2021 ao redor de 108 mil pontos. Segundo a analista Catherine Kiselar, no momento, o índice "parece ter feito um fundo" e só perderia os 100 mil pontos se houvesse uma notícia adversa significativa. A provável elevação da Selic na próxima reunião do Banco Central para 9,25%, a inflação de dois dígitos em 2021 e um crescimento menor da economia em 2022 já estão, na sua opinião, sendo precificados agora pelo mercado.

Com relação às recomendações de Top Picks para a próxima semana, a Ativa trocou sua carteira toda em relação à semana passada. Saíram Carrefour ON, Gol PN, Méliuz ON, Sanepar Unit e Suzano ON e entraram Locaweb ON, MRV ON, BRF ON, Usiminas PNA e Embraer ON.

O BB Investimentos manteve apenas BR Malls e retirou Lojas Americanas ON, Petz ON, Raia Drogasil ON e SulAmerica Unit, colocando no lugar Eneva ON, Lojas Renner ON, Movida ON e Ultrapar ON.

O Banco Daycoval fez só uma alteração em sua carteira - tirou Assai ON e colocou Petz ON. Manteve CCR ON, Copasa ON, Eneva ON e Rede D'Or ON.

A Elite retirou Gerdau PN e Banco Inter Unit e colocou no lugar Equatorial On e Petrobras PN. Ficaram Alpargatas ON, Bradesco PN e Klabin Unit.

A Guide Investimentos só manteve JBS ON para a próxima semana. Saíram BTG Pactual Unit, Grupo Soma ON, Raízen PN e 3R Petroleum, para entrar Apple BDR, Bradesco PN, Petrobras PN e Vibra Energia ON.

Da carteira do MyCap saíram Suzano ON, Cosan ON e Bradesco PN e entraram GPA ON, Tegma ON e Usiminas PNA. Ficaram Intelbras ON e Santos Brasil ON.

A Órama decidiu trocar JBS ON por Marfrig ON e manteve Ambev ON, Energias do Brasil ON, Natura ON e Telefônica Brasil ON.

A Planner deixou apenas a Grendene ON em sua carteira e trocou Banco do Brasil ON, Enauta ON, Taesa Unit e Santander Unit por Petrobras PN, Rede D'Or ON, Telefonica Brasil ON e Weg ON.

Na carteira da XP ficaram Braskem PNA, Petrobras ON e Vale ON, mas saíram Alliar ON e Weg ON, para entrar Copel PNB e Locaweb ON.

 

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