Daniel Teixeira/Estadão
Daniel Teixeira/Estadão

Top Picks: Teto para o ICMS deve impulsionar desempenho de elétricas, combustíveis e aviação 

Medida pode apoiar tanto o aumento da demanda quanto a redução dos níveis de inadimplência, dependendo do segmento; texto ainda precisa ser aprovado pelo Senado

Luísa Laval, O Estado de S.Paulo

27 de maio de 2022 | 21h00

Após a Câmara dos Deputados aprovar nesta semana o projeto que estabelece um teto de 17% para o Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) sobre energia elétrica, combustíveis, gás natural, querosene de aviação, transporte coletivo e telecomunicações, analistas do mercado veem com otimismo o desempenho das ações ligadas a esses setores. Eles apontam que a medida pode apoiar tanto o aumento da demanda quanto a redução dos níveis de inadimplência, dependendo do segmento. O texto ainda precisa ser aprovado pelo Senado.

"O setor de energia elétrica, principalmente as empresas distribuidoras de energia, podem ser as mais beneficiadas pela medida que fixa o teto de 17% para o ICMS, pois em um primeiro momento o preço da conta cai, o que diminui a inadimplência, e no médio e longo prazos, as companhias conseguem repassar o ajuste de preço para o consumidor final com maior facilidade", afirma Gabriel Augusto Mollo, analista do Daycoval.

A Santander Corretora estima que, caso o projeto seja aprovado pelo Senado, haverá uma redução da tarifa de energia elétrica de aproximadamente 7%, em média, para as empresas sob a cobertura da casa. "Vemos essa redução como positiva, uma vez que poderia se refletir em um aumento da demanda ou redução dos níveis de inadimplência. Para as distribuidoras de combustíveis, que hoje sofrem incidência do ICMS e do PIS/Cofins, o teto de 17% para o ICMS é essencial não apenas para fixar uma alíquota máxima, mas também para simplificar a tributação", afirma Ricardo Peretti, estrategista de ações da corretora.

Para setores não contemplados pelo teto do ICMS, como varejo e alimentação, o analista vê um impacto de neutro a levemente positivo, uma vez que o efeito seria secundário: com uma maior economia da conta de luz e dos combustíveis, por exemplo, as famílias brasileiras poderiam redistribuir os recursos poupados para a compra de outros produtos e serviços.

O analista da Guide Investimentos, Rodrigo Crespi, destaca que os setores de aviação civil e transportes devem ser os mais beneficiados. Ele cita que, no caso da companhia aérea Azul, o combustível representou uma parcela de 38% do total das despesas operacionais no primeiro trimestre de 2022, ante os 29,3% do total no primeiro trimestre de 2021.

"Já os distribuidores de combustíveis, apesar da queda de faturamento, devem observar uma melhora nas suas margens, visto que as empresas do setor não devem repassar na totalidade a redução do ICMS para o consumidor - mantendo spreads a níveis mais rentáveis, principalmente nos Estados do Rio, Minas Gerais e Piauí, que têm alíquota superior a 30% para gasolina", conclui.

Entre as alterações em carteiras, o BB Investimentos inseriu BrasilAgro ON e Guararapes ON, ao mesmo tempo que retirou Bradesco PN e Hypera ON.

O Banco Daycoval fez uma mudança na carteira semanal, com a inclusão de Natura ON no lugar de Petrobras ON.

Já a Elite Investimentos efetuou três trocas, adicionando BrasilAgro ON, Bradesco PN e Movida ON. Foram retiradas AES Brasil ON, Sanepar Unit e Usiminas PNA.

A Mirae Asset fez duas alterações: incluiu Itaú PN e Suzano ON no lugar de Banco do Brasil ON e Gerdau PN.

Por fim, a MyCap adicionou os papéis Aliansce Sonae ON, Mahle-Metal Leve ON e Rede D'Or ON, retirando CSN ON, Itaú PN e Klabin Unit.  

 

 

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