Fábio Motta/Estadão
Fábio Motta/Estadão

Top Picks: Vale e Petrobras seguem atrativas, após resultados trimestrais

No caso da mineradora, especialistas projetam que as ações devem recuperar as perdas recentes no médio e longo prazo; já a valorização do petróleo seguirá favorecendo a Petrobras

Marcia Furlan, O Estado de S.Paulo

29 de outubro de 2021 | 21h00

As duas principais empresas do Ibovespa, Vale e Petrobras, divulgaram os resultados do terceiro trimestre esta semana. Os números da mineradora ficaram abaixo da expectativa do mercado, em razão de custos maiores e preços menores, enquanto a petroleira surpreendeu positivamente por seu desempenho operacional.

As atenções estão voltadas agora para o último trimestre do ano e para 2022, que deve ser marcado por muita volatilidade nos campos econômico e político, o que pode influenciar os negócios das companhias.

Para Ricardo Peretti, estrategista de ações da Santander Corretora, apesar dos resultados abaixo do esperado da Vale no terceiro trimestre e de a empresa não ser a preferência da instituição no setor de Mineração e Siderurgia, as ações devem recuperar partes das perdas recentes no médio e longo prazos. Isso em razão do seu valuation ainda atrativo, por ter um fluxo de caixa robusto, alavancagem controlada e bom histórico de distribuição de dividendos, um dos pontos mais relevantes para a atratividade do papel.

Nos próximos meses, a empresa deve ainda registrar maiores volumes, por contabilizar vendas atrasadas do terceiro trimestre e ter menores custos, lembra Rodrigo Crespi, especialista de mercado da Guide Investimentos. Ele estima que, para o fim do ano, o preço médio do minério deva se manter ainda acima dos US$ 110 por tonelada e em 2022 um pouco abaixo. Em contrapartida, o dólar ficará valorizado frente ao real. Além disso, os custos com energia podem ter um impacto menor, com a eventual melhora nos níveis dos reservatórios, diz ele.

Já a Petrobras seguirá mostrando bons resultados operacionais nos próximos meses, baseados na sua capacidade de produção e de exploração, na maior participação no pré-sal e nos níveis elevados do preço do petróleo. "Enquanto a política de preços seguir condicionada à paridade dos preços internacionais de petróleo, esperamos que a empresa siga desempenhando satisfatoriamente bem no curto prazo, sendo favorecida pela sua desalavancagem em andamento e pela sua boa distribuição de dividendos", diz Peretti, do Santander.

Crespi avalia que em 2022 o setor de petróleo ainda continuará a se beneficiar das cotações elevadas da commodity e do dólar. Além disso, explica, o nível de investimento em petróleo está estruturalmente menor por conta de políticas pró-ambiente, o que deve sustentar os preços por mais tempo.

"Apesar de as eleições presidenciais causarem maior volatilidade em estatais, como a Petrobras, acreditamos que os bons resultados futuros, impulsionados também pela desalavancagem e otimização de portfólio, devam compensar a incerteza política", afirma.

O economista-chefe do Modalmais, Álvaro Bandeira, pondera que as duas empresas são boas geradoras de caixa e com uma bem definida estratégia de remuneração aos acionistas, conferindo um retorno em dividendos (dividend yield) em torno de 10% sobre o preço negociado.

Na sua opinião, elas seguirão remunerando bem seus acionistas, pois, na saída da pandemia, muitos países vão implementar programas de investimentos em infraestrutura e, portanto, demandarão energia, minerais e produtos siderúrgicos. "Petrobras e Vale têm tudo para liderarem a retomada do mercado acionário doméstico, apesar das pressões sobre Petrobras e sua estrutura de preços de combustíveis e dos ajustes que a China tem feito em seu setor siderúrgico", afirma.

Com relação às recomendações, a Ativa alterou todas as top picks de sua carteira, que agora tem Fleury ON, Metalúrgica Gerdau PN, Telefônica ON, SulAmérica Unit e Energisa Unit. Saíram Alliar ON, Qualicorp ON, Hypera ON, Klabin Unit e Vale ON.

Da carteira do Daycoval, saiu apenas Lojas Renner ON, para entrar Alpargatas ON. Ficaram Assaí ON, CCR ON, Copasa ON e Eneva ON. A Elite manteve a Weg ON. Saíram Assaí ON, Inter ON, Intelbras ON e M.Dias Branco ON, substituídas por Bradesco PN, Cesp PNB, Equatorial ON e Gerdau PN.

O Inter trocou duas ações de sua carteira para novembro. Saíram BB Seguridade ON e Vale ON, e entraram Gerdau PN e Itaú ON. Ficaram Energias do Brasil ON, Lojas Renner ON e Marfrig ON. A carteira da Guide para novembro manteve Itaú PN, Rede D'Or ON e 3R Petroleum da semana passada e retirou B3 ON e Irani ON para colocar JBS ON e Klabin Unit no lugar.

A ModalMais colocou em sua carteira de novembro BB Seguridade ON, Engie ON, IVVB11 ETF, Petrobras PN e Porto Seguro ON. Na carteira da semana passada, estavam Energias do Brasil ON, Ishare S&P 500, Itaú PN, Suzano ON e Vale ON.

A MyCap fez três alterações, retirou Assaí ON, Dexco ON e Grupo Soma ON para colocar Cosan ON, Fleury ON e Suzano ON, mantendo Bradesco PN e Vale ON. A Órama decidiu trocar as ações da Weg ON e PetroRio ON por Alliar ON e Ambev ON. As demais ficaram: JBS ON, Engie ON e Telefonica ON.

XP trocou três ações de sua carteira. Saíram Azul PN, B3 ON e Vale ON e entraram Fleury ON, GPA ON e Natura ON. Foram mantidas BRMalls ON e SulAmérica Unit. Veja a lista:

 

 

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