Alex Silva/Estadão - 27/11/2021
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Top Picks: Varejo e construção podem reverter perdas apenas a partir do segundo semestre

Para especialistas, elevação da Selic e a inflação podem aumentar os custos e diminuir o poder de compra do consumidor, afetando a recuperação de vários setores da economia

Marcia Furlan, O Estado de S.Paulo

07 de janeiro de 2022 | 21h00

A virada do ano nada mudou no comportamento da Bolsa, que encerrou a primeira semana do ano de 2022 no terreno negativo. Da mesma forma, nada mudou para os setores perdedores do ano passado, como os de varejo e construção, denominados cíclicos, que continuam a acumular baixas.

Algumas ações perderam mais de 50% do seu valor ao longo de 2021, e a pergunta que se faz agora é se podem cair ainda mais e quais são as condições para uma reversão.

Na opinião de analistas consultados pelo Estadão/Broadcast pelo menos no primeiro semestre de 2022 as chances de uma inflexão são pequenas. Isso porque as condições macroeconômicas não dão sinais de melhora.

Rodrigo Crespi, analista da Guide Investimentos, acredita que as ações desses setores podem recuar ainda mais, frente à eventual elevação das taxas de juros norte-americanas, que acabam por pressionar os juros futuros por aqui. Isso afeta companhias varejistas e de construção tanto por aumentar o custo de capital como por afetar o poder de compra de seu consumidor, prejudicando portanto a geração de receita.

"Avaliamos que, enquanto a inflação e a taxa Selic permanecerem em níveis altos e sem sinais claros de estabilização, esses setores continuarão pressionados no curto prazo", acrescenta Ricardo Peretti, estrategista de ações da Santander Corretora.

Ele ressalta, contudo, que a inflação não deve ficar nos níveis do ano passado, o que pode dar espaço para o Banco Central encerrar, ainda no primeiro semestre do ano, o ciclo de alta de juros iniciado em março de 2021.

Assim, é possível que as ações desses setores comecem a ensaiar uma recuperação, mas dificilmente chegarão aos preços negociados até o início do ano passado.

Segundo Vitor Suzaki, do Banco Daycoval, em caso de melhora em alguns aspectos, como inflação sob controle, retomada da atividade econômica e do emprego, poderia haver uma melhora desse quadro. Porém o mais provável é haver certa estabilização das condições macro, e esses setores devem pelo menos "parar de piorar".

Outro fator a ser considerado é a corrida eleitoral que amplifica os temores com relação ao descontrole fiscal e aos rumos da economia, uma vez que, pelo menos por ora, não há clareza sobre as chances de vitória de um ou outro candidato, o que deve garantir grande volatilidade nos próximos meses.

Já o chefe de análise de ações na Órama, Phil Soares, acredita em uma reversão porque os preços dessas ações estão bem deprimidos, o que não se justifica diante da perspectiva econômica das empresas. "É claro que, no curtíssimo prazo, os preços estão sendo determinados pelas condições adversas de mercado, com muitos resgates nos fundos e liquidação das posições dos investidores individuais. Mas acreditamos que ao longo de 2022 as ações destes setores deverão fechar positivamente."

A analista do Banco Inter, Gabriela Cortez Joubert, ressalta que, após a melhora do cenário macro, a recuperação das empresas de setores cíclicos deve ser gradual e dependerá mais da estrutura de custos e despesas de cada uma, do que da melhora da demanda.

Com relação às recomendações para a próxima semana, a Ativa substituiu quatro ações de sua carteira de Top Picks. Entraram Ambev ON, Cemig PN, Magazine Luiza ON e Raia Drogasil ON no lugar de CSN ON, Lojas Americanas PN, 3R Petroleum ON e Eternit ON. A SLC Agrícola ON foi mantida.

O Banco do Brasil colocou Bradespar PN, BRF ON, Hapvida ON e Transmissora Aliança de Energia Elétrica Unit no lugar de Gerdau PN, Mercado Libre BDR, Magazine Luiza ON e SLC Agrícola ON. Marcopolo PN permaneceu.

O Banco Daycoval trocou todas as ações da carteira. Retirou Banco Pan PN, CCR ON, Petz ON, Suzano ON e Telefônica Brasil ON e colocou Banco do Brasil ON, B3 ON, EzTec ON, Gerdau PN e Hapvida ON. A Elite fez também apenas uma mudança, retirando Cyrela ON e colocando Gerdau PN. As demais ficaram: Ânima ON, Cemig PN, Marfrig ON e Vale ON.

A Guide trocou apenas uma ação: tirou Vibra ON e colocou Vale ON. Permaneceram Apple BDR, Bradesco PN, Petrobras PN e Suzano ON. A Mirae Asset manteve Vale ON e trocou Indústrias Romi ON, Randon PN, Rumo ON e Santos Brasil ON por Copel PNB, Ferbasa PN, Gerdau PN, Petrobras PN.

Da carteira do My Cap saíram Totvs ON, Sequoia ON e Simpar ON e ingressaram Arezzo ON, Equatorial ON e Localiza ON. Continuam Cyrela ON e Vale ON. A Órama decidiu trocar Via ON e Telefônica Vivo ON por BRF ON e Camil ON, deixando Embraer ON, Klabin Unit e Unipar PNB.

A Planner trocou toda sua carteira. Entraram Copel PNB, Enauta ON, Grendene ON, Minerva ON e Randon PN e saíram Cemig PN, JSL ON, Petrobras PN, Santos Brasil ON e Telefônica Brasil ON.

A XP manteve apenas Vale ON em sua carteira e retirou Bradesco PN, Equatorial ON, Natura ON e PetroRio ON, para colocar no lugar Cyrela ON, Fleury ON, Gerdau PN e Petrobras PN.

Veja a lista:

 

 

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