Trabalhadores do Grupo Voith entram em greve

Os trabalhadores das empresas Voith Paper, Voith Siemens, Voith Turbo e Voith Vipa, localizadas na zona oeste da cidade de São Paulo, anunciaram que estão em greve desde esta manhã. Os metalúrgicos reivindicam, principalmente, igualdade de condições salariais e outros benefícios entre os trabalhadores efetivos e os terceirizados. Amanhã, segundo o Sindicato, haverá uma nova assembléia na porta da fábrica para discutir a continuidade ou não das paralisações.Além do combate à terceirização, os sindicalistas brigam por mais segurança e menos horas extras. A greve foi aprovada em assembléia hoje, e, segundo nota do Sindicato dos Metalúrgicos de São Paulo, atinge toda a produção e parte do setor administrativo do Grupo Voith.A Voith confirma a paralisação. Entretanto, afirma que a greve não atinge todo o Grupo. Diz que o setor administrativo funciona "quase" em sua totalidade e que também "alguns" funcionários da parte produtiva não aderiram à greve. De acordo com nota oficial emitida, houve uma reunião ontem entre a diretoria das empresas do Grupo para esclarecimentos e busca de consenso. "O consenso não ocorreu, mas o Grupo mantém-se aberto ao diálogo sobre temas que não comprometam a sustentação de suas empresas no Brasil e o emprego de seus colaboradores", afirma o Grupo, por meio de comunicado.Os metalúrgicos alegam que os trabalhadores terceirizados recebem salários menores, e não tem benefícios compatíveis aos dos efetivos, como convênio médico e odontológico e cesta básica. Eles atacam, neste caso, a contratação da Voith Vipa pelas empresas do Grupo. "A Voith Vipa, que, a princípio, deveria prestar serviços para outras empresas, está atendendo a própria Voith e pagando salários menores e benefícios diferenciados aos funcionários terceirizados", aponta o Sindicato.O Grupo Voith se defende. Segundo o Grupo, a Voith Vipa foi fundada em 2000 para prestação de serviços industriais e teve suas atividades iniciadas em 2004. "De forma natural, a Voith Paper, a Voith Siemens Hydro e a Voith Turbo decidiram contratar a Voith Vipa para prestação de serviços em suas instalações, em substituição às empresas não pertencentes ao Grupo", argumenta, em nota oficial. E emenda: "Esta (a Voith Vipa) absorveu os colaboradores das empresas substituídas, melhorou suas condições de trabalho, ampliou seus benefícios e é hoje uma referência superior entre as empresas do setor".De acordo com o Grupo Voith, a Voith Vipa é autônoma, tem sede própria no País e presta serviços a empresas multinacionais instaladas no Brasil. O Grupo afirma que não há possibilidade de negociar a reivindicação dos metalúrgicos de eliminar as empresas prestadoras de serviços, mas se dizem abertos à conversa. O Grupo Voith tem hoje 1.800 funcionários efetivos e 500 terceirizados.TerceirizaçãoPara o Sindicato, a terceirização é injusta e só visa "ganhar dinheiro". O combate à terceirização, inclusive, ficou acertado na segunda-feira, em encontro de Delegados Sindicais da região paulista, como uma das principais bandeiras de luta dos metalúrgicos para 2007.Segundo Eleno Bezerra, presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de São Paulo, Mogi das Cruzes e Região, e também presidente da Confederação Nacional dos Trabalhadores Metalúrgicos, a terceirização está se tornando "uma epidemia" nas empresas. "Vamos combater esse problema em todas as empresas da base que terceirizam serviços na produção ou ligados diretamente à produção", ressalta.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.