Transferro diz estar aberta à negociação com governo do PR

A Transferro Operadora Multimodal está disposta a negociar com o governo do Paraná um contrato de locação da frota de locomotivas e vagões que servem à ferrovia de Guarapuava a Cascavel (PR), mas entende que enquanto o compromisso não estiver em vigor os equipamentos não podem ser usados, afirmou hoje o advogado da empresa, João Marcelo Fernandes Mendes.A Transferro tinha contrato de locação de 16 locomotivas, 15 vagões e outros equipamentos com a Ferropar, que era operadora da ferrovia até que a Justiça acolheu pedido do Estado e decretou a falência da empresa, em dezembro de 2006. Com isso, o contrato existente perderia sua validade, conforme a empresa. "A falência da Ferropar extinguiu a relação contratual existente e a conseqüência natural seria a imediata retomada dos vagões e locomotivas por parte da Transferro", afirmou a empresa, por meio de nota, na sexta-feira.Com a decretação da falência da Ferropar, o Paraná retomou o controle da ferrovia. Ontem o presidente da Estrada de Ferro Paraná Oeste (Ferroeste) - uma sociedade de economia mista vinculada à Secretaria dos Transportes -, Samuel Gomes, disse que o governo prepara uma medida para assegurar a permanência da frota. "Não vamos admitir que, na iminência de escoamento da safra, essa frota saia daqui", afirmou Gomes. Ele reconheceu que os equipamentos pertencem à Transferro, mas argumentou que a Ferroeste tem o direito de sub-rogar o contrato, ou seja, transferi-lo para o novo operador da ferrovia.Uma reunião realizada no dia 3 de janeiro entre representantes da Ferroeste e da Transferro não se avançou nas negociações. A Transferro comunicou sua posição à Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) e à própria Secretaria dos Transportes do Paraná. Segundo o advogado da empresa, a empresa aguarda uma resposta das autoridades reguladoras.Conforme o presidente da Ferroeste, a Ferropar descumpriu várias cláusulas do contrato de concessão, incluindo a frota disponível, que deveria ser de 60 locomotivas e seria de 15. Os 248 quilômetros da ferrovia foram construídos entre 1991 e 1994 em parceria do governo do Paraná com o Exército. Em 1996, foi assinado contrato de concessão do trecho à iniciativa privada, em leilão feito na gestão Jaime Lerner. A Agência Estado procurou o advogado que representa a Ferropar, mas não obteve retorno.

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