Transpetro reduz em 16% o preço de navios petroleiros

Depois de dois meses de negociação direta com os vencedores de licitação bilionária para a construção de 26 petroleiros, a Transpetro (subsidiária de transportes da Petrobras) informou que conseguiu reduzir em média 16,24% o valor das propostas iniciais apresentadas pelos vencedores de quatro dos cinco lotes da concorrência. O valor total dos contratos caiu US$ 257 milhões, passando de US$ 1,522 bilhão para US$ 1,275 bilhão. Apenas 1 dos 5 lotes, que compreende 10 embarcações, ainda não foi concluído.Apesar da redução, os navios ainda ficaram de 2% a 3% mais caros que embarcações similares construídas no mercado internacional, segundo levantamento da consultoria Clarkson, apresentado ontem pela própria Transpetro. Pela proposta inicial dos estaleiros, os preços superavam em até 40% os valores internacionais.O presidente da companhia, Sérgio Machado, afirmou que o principal avanço foi obtido no preço do aço, que teve redução de 20% em seu custo tabelado pela Usiminas, única fornecedora nacional do tipo destinado à indústria naval. O aço representa cerca de 20% a 30% da composição do preço de um navio petroleiro. Segundo Machado, também foram negociados "ajustes nos projetos e redução no custo de mão-de-obra".O contrato com os grupos vencedores da licitação serão assinados nos próximos dias. Uma cerimônia que seria realizada ontem no Palácio do Planalto com essa finalidade foi cancelada, segundo a Transpetro. O prazo de 24 meses para a entrega dos navios só começa depois que os vencedores conseguirem financiamento.O presidente da Transpetro afirmou que - ao contrário do ocorrido no passado - os estaleiros não estão tendo dificuldades para comprovar garantias para obtenção do financiamento. "Por trás de cada estaleiro há um grande grupo financeiro que garante a obtenção dos recursos", disse Machado.É o caso do Consórcio Rio Naval, composto pelo estaleiro Sermetal e pelos grupos MPE e Iesa. O consórcio foi o grande vencedor da licitação, abocanhando dois lotes da encomenda, num contrato total de US$ 866 milhões para a construção de 5 navios do tipo Aframax e 4 do tipo Panamax. O lote de número 4 foi levado pelo estaleiro Mauá Jurong, de Niterói, por US$ 277 milhões, para a construção de quatro navios de produtos (derivados de petróleo). O último lote, de número 5, foi confirmado para o estaleiro Itajaí (SC), por US$ 130,9 milhões, para a construção de três navios gaseiros.O presidente do Sermetal, Carlos Henrique Moreira Gomes, disse que a garantia financeira será fornecida pelo Grupo MPE. Segundo ele, a capacidade do estaleiro, que desde 1997 estava ocupada apenas com a manutenção de embarcações, será tomada com as obras.

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