Tubaínas perdem espaço e tem menos de 29% do mercado

As tubaínas, muitas delas produzidas em fábricas de fundo de quintal, já deixaram a poderosa Coca-Cola em dificuldades no Brasil. Na virada da década, a ascensão dos refrigerantes populares levou à substituição do então presidente da Coca no Brasil, Luiz Lobão. Agora, a situação se inverteu e, segundo especialistas, deve piorar mais para as pequenas empresas.Desde 2000, a participação de mercado de refrigerantes populares cai um ponto porcentual por ano. As tubaínas já representaram 34% do volume de vendas no Brasil, hoje respondem por menos de 29%. Segundo a Afrebras (associação que representa os fabricantes regionais), o Brasil tinha 800 produtores de refrigerantes há cinco anos. Hoje são 304. No meio do caminho, 50 mil trabalhadores teriam perdido o emprego.O presidente da Afrebras, Fernando Rodrigues de Bairros, diz que uma mudança nos impostos, em 2003, prejudicou os fabricantes regionais de refrigerante. O governo passou a cobrar o imposto PIS-Cofins sobre o produto, mas sempre considerando um valor fixo por refrigerante e não um porcentual do valor da mercadoria. Como as tubaínas são mais baratas, a medida teria dificultado mais a vida dos pequenos do que dos grandes fabricantes.Além disso, a reação dos grandes fabricantes ao avanço das tubaínas surtiu efeito. Além de oferecer vasilhames retornáveis e garrafas menores, a Coca-Cola tem o poder de usar suas marcas regionais, como o Guaraná Simba ou o Guaraná Jesus, para concorrer com as tubaínas. "Se a Coca-Cola colocar o guaraná Simba a R$ 1,10 ninguém consegue vender mais caro que isso", diz Bairros.Os fabricantes de tubaína ainda terão uma dificuldade adicional a partir deste ano. Acusados de oferecem preços muito baixos porque sonegam impostos, terão de instalar medidores de vazão nas fábricas de refrigerantes. Esses instrumentos medem a quantidade de bebidas que sai das fábricas e dificultam a sonegação, como ocorreu com as cervejas recentemente.Os fabricantes de refrigerantes têm até o final de 2007 para instalar os medidores. "A fiscalização está arrochando. Quem sonega muito está perdendo espaço", afirma o ex-coordenador tributário da Secretaria de Fazenda de São Paulo e consultor tributário, Clóvis Panzarini.Boa parte dos fabricantes não está agüentando a pressão, mas marcas tradicionais prometem resistir. "Perdemos espaço, mas não precisamos fechar unidades. Fizemos ajustes", diz Ademar Watanabe, diretor da Refrigerantes Arco Íris, de São José do Rio Preto, no mercado desde 1958. Dona das marcas Arco Íris e Cotuba, a empresa diversificou sua produção e oferece vinagre, xarope de groselha, água gaseificada e aguardente.

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