Turbulência passageira ou início da virada dos mercados?

Balanço Maio/06 1º- O euro obteve forte valorização de 12,91%.2º- O ouro registrou forte alta de 12,73%.3º- O dólar apurou alta de 11,31%.4º- Os fundos DI devem fechar o mês com rendimento bruto na faixa de 1,05% a 1,35%, dependendo da taxa de administração.5º- Os títulos indexados ao IGP-M, com o IGP-M de maio apresentando inflação de 0,38%, devem fechar o mês com resultados abaixo dos fundos DI e acima dos fundos de Renda Fixa, com rendimento bruto entre 0,9% e 1,25%, dependendo do prazo do papel.6º- Os fundos de Renda Fixa puros devem fechar o mês com rendimento bruto na faixa de 0,8% a 1,15%, bem abaixo dos fundos DI devido à "marcação a mercado" em razão da turbulência, dependendo também da taxa de administração do fundo. 7º- A Bolsa teve queda de 9,5%.Durante o mês de maio, o principal fato, que criou grande turbulência nos mercados, foi a divulgação do índice de inflação americana ao consumidor (CPI, na sigla em inglês) acima do esperado. Esse fato deflagrou o temor de uma alta dos juros americanos além da faixa de 5% a 5,25% ao ano. Desse modo, todas as bolsas mundiais caíram, com um conseqüente aumento da procura por títulos de renda fixa americanos ("flight to quality"). Os dados internos praticamente não tiveram qualquer influência.Para se ter uma noção da magnitude da variação, o Ibovespa oscilou de um máximo de 42.015 até um mínimo de 34.911 pontos, o que corresponde a queda de cerca de 17%; e o dólar, de um mínimo de R$ 2,055 até um máximo de R$ 2,4, alta também de cerca de 17%. Após esses momentos nervosos, os mercados se recuperaram, mas ainda em níveis inferiores aos números pré-crise.Em junho e próximos meses, a atenção estará voltada aos rumos da economia americana: inflação, indicadores de crescimento, declarações das autoridades americanas e suas conseqüências sobre as expectativas sobre os juros nos Estados Unidos. Também o comportamento do preço do petróleo é variável importante a ser acompanhada.O fato de as principais bolsas mundiais e preços de commodities estarem em picos de alta gera a preocupação de que esses mercados possam sofrer uma correção de preços deflagrada pela alta dos juros americanos. A dúvida crucial é se esta recente turbulência é passageira, ou o início de uma correção mais prolongada dos mercados. No âmbito interno, as variáveis continuam tendo pouca importância em comparação às externas. Os dados sobre o crescimento, reunião do Copom e a evolução das denúncias da CPI são os poucos fatores que podem vir a influenciar os mercados.PerspectivasOs fundos DI, neste momento de nervosismo, são muito interessantes, pois não correm o risco da oscilação dos juros e continuam proporcionando excelente juro real. Em junho, o rendimento bruto será na faixa de 0,85% a 1,2%, dependendo da taxa de administração do fundo.Os fundos de Renda Fixa, continuam boas opções de diversificação para investidores moderados e agressivos. Sofreram em maio as conseqüências do nervosismo do mercado, devido à "marcação a mercado", mas agora apresentam melhores perspectivas, caso os mercados voltem a se acalmar. O rendimento bruto em junho deverá ser similar aos fundos DI, se não houver nenhuma surpresa por parte da percepção do mercado com os juros futuros.Os títulos indexados à variação do IGP-M continuam como opções de investimento a longo prazo como diversificação de portfólio, pois esses títulos estão rendendo na faixa de 10% a 11% ao ano, mais variação do IGP-M. Com o IGP-M de maio apresentando inflação de 0,38%, tiveram resultados,de modo geral, abaixo dos fundos DI e acima dos fundos de Renda Fixa. Os fundos cambiais (dólar e euro), devido ao nervosismo, tiveram excelente retorno em maio. O euro com desempenho melhor, devido a desvalorização do dólar frente as principais moedas. Mantêm-se como opções para diversificação de portfólio para investidores com perfil conservador e moderado, com visão de longo prazo, caso o cenário interno e/ou externo piorem.O ouro apresentou pequeno recuo no mercado internacional, com a perspectiva de maior alta dos juros americanos. Ainda continua muito favorecido no exterior devido à desvalorização do dólar frente a outras moedas, inflação americana, alta no preço do petróleo e crise do Irã. Do mesmo modo que os fundos cambiais, continua uma opção conservadora atraente para diversificação, devido ao, ainda, baixo valor do dólar no mercado doméstico.A Bolsa brasileira teve queda importante de 9,5%, juntamente com a maioria das bolsas mundiais, em razão do temor da alta dos juros americanos. Consideramos 31.710 pontos o valor justo para Índice Bovespa, ou seja, em termos históricos (1968 até 2006) o valor que não apresenta ágio ou deságio no preço médio das ações. Ao nível atual de 36.530 pontos, o Ibovespa apresenta ágio médio de 15,2%, podendo sofrer correção no curto e médio prazos.As bolsas mundiais, de maneira geral, tiveram um mês ruim em maio. A maioria está em seus picos históricos; fato que indica possível correção no curto e médio prazos. Por outro lado, as perspectivas de continuo crescimento dos EUA e China são favoráveis ao bom retorno das bolsas. As opções com maior potencial de retorno são as bolsas do Japão, Áustria, França e Reino Unido (países desenvolvidos) e Malásia, Chile, Singapura e Hong Kong (países emergentes).Os imóveis comerciais continuam a preços históricos baixos, embora continuam a apresentar recuperação de preços com a melhoria nas perspectivas do crescimento econômico. Boa opção para diversificação de portfólio de investidores com perfil conservador e moderado.

Agencia Estado,

01 de junho de 2006 | 10h19

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