Turismo atrai clientes para as vinícolas

Acordar no meio de parreiras carregadas de uva, relaxar num ofurô cheio de vinho ou fazer cursos de degustação ao lado de gigantescos barris de carvalho. Os fabricantes de vinhos nacionais estão apostando nos prazeres do turismo para cativar o consumidor brasileiro.A vinícola Salton investiu R$ 30 milhões na construção da sua nova sede, em Bento Gonçalves (RS), totalmente preparada para receber visitantes. Na entrada, recepcionistas fazem um tour pela linha de produção, com passarelas a cinco metros do chão exclusivas para turistas, que têm uma visão panorâmica de tudo.Para Ângelo Salton, presidente da companhia, o esmero em atender bem o visitante compensa: "Buscamos um público que quer saber mais sobre vinho. Acreditamos que depois de conhecer nossa produção ele se torna cliente, e vai pedir nossos vinhos quando for a um mercado ou restaurante."Para Salton, o crescimento do turismo é chave para a expansão das vinícolas nacionais, pois o consumidor entra em contato direto com o fabricante e cria laços com a marca. "Esperamos receber mais de 30 mil pessoas este ano e criamos até produtos especiais vendidos só na loja de lá, como uma série de quatro vinhos didáticos, cada um com um tipo de uva, para o cliente saber diferenciá-las."E não é só a Salton que pensa desta forma. Na região, existem 680 vinícolas de todos os portes, dezenas abertas para visitas. Na Casa Valduga, a estrutura para o turista conta até com pousada, com suítes espalhadas pelo parreiral. "Isso cria a cultura do vinho, o turismo consegue isso de forma muito fácil e direta", diz Juarez Valduga, diretor da vinícola.A pousada da empresa foi lançada em 1995, e não parou de crescer, graças ao entusiasmo de Valduga: "Invisto todo ano cerca de 30% do faturamento da empresa no turismo", diz ele, que calcula receber cerca de 3 mil pessoas por mês. Para o final do ano, prepara outro investimento, ainda um segredo: "O turista vai se surpreender."Para ele e outros produtores, o grande desafio é mostrar para o brasileiro a qualidade da produção nacional. "Recebi um grupo de médicos semana passada e que de forma alguma tomavam vinho nacional. Eles ficaram impressionados, pois o brasileiro tende a comprar o melhor vinho importado com o pior brasileiro, e quando vem aqui percebe que temos produtos de R$ 5 a R$ 100 o litro."Já a cooperativa Vinícola Aurora abriu suas portas para o turismo no início dos anos 80. Já conhecida na região, atraiu ano passado 150 mil turistas para conhecer seus produtos. É tanta gente que as compras dos visitantes se tornaram expressivas para a economia da empresa. "O tíquete médio do turista é de R$ 25, por isso ano passado esta área faturou mais de R$ 3 milhões", conta Alen Guerra, diretor de marketing da Aurora.Para ele, apostas neste sentido valorizam a marca. "Há décadas enxergamos isso e temos aqui 20 recepcionistas para atender o visitante, o que se reflete imediatamente no faturamento, pois fazemos corpo-a-corpo com o consumidor, que lembra daqui para sempre."E para os consumidores que admiram a bebida, no final do ano a vinícola Miolo junto a outros parceiros prepara outra surpresa: a Villa Europa Hotel & Spa do Vinho, composta por um hotel 5 estrelas e um Spa de Vinoterapia. Lá, até a sauna e a banheira conterão vinho. O projeto, de R$ 30 milhões, é uma franquia do Spa francês Caudalie Vinothérapie, que fica na região do Bourdeaux, também famosa pelos seus vinhos.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.