TV de plasma desaponta consumidor

O advogado Paulo do Amaral, de 66 anos, que mora em Sorocaba (SP), decidiu, no fim de 2005, dar um presente a si mesmo. Comprou um televisor de plasma de 42 polegadas de R$ 9,999 mil. Chegando em casa, constatou que a imagem da TV não era maravilhosa como a exibida na loja."Apareceram manchas nas laterais da tela", diz Ricardo Soares Amaral, filho do advogado. Decepcionado, Paulo mandou o aparelho para a assistência técnica. Só então ficou sabendo que não há como resolver o problema. As emissoras de TV aberta no Brasil ainda usam tecnologia analógica e os aparelhos de plasma estão preparados para transmissão digital. Paulo descobriu que só conseguiria obter a imagem da loja se assinasse TV paga digital ou assistisse a um DVD."Trata-se de omissão de informação do fabricante", reclama Ricardo. Seu pai entrou com queixa no Procon contra a loja. Após várias audiências, no mês passado, ele conseguiu trocar a TV por outros produtos.São muitos os consumidores decepcionados. Pedro Luiz Turco, de 51 anos, dono de uma empresa de pintura de motos, comprou uma TV de plasma de 50 polegadas em junho. Quando ligou, viu que as cores ficavam estouradas e não havia como regulá-la. Chamou a assistência técnica e nada. Depois de brigar muito, conseguiu que o fabricante se comprometesse a devolver o dinheiro. "Já tinha uma TV de plasma de 42 polegadas, que na TV a cabo digital fica um cinema."Ele gosta de assistir principalmente filmes e não se incomoda com o formato da imagem. "Minha mulher reclama um pouco na hora da novela." O casal costumava assistir aos programas da TV com faixas pretas do lado da tela, para ajustar o tamanho da imagem. Um sobrinho avisou, porém, que se usassem muito a TV dessa forma, a tela ficaria manchada.A alternativa foi assistir com a imagem na tela toda, o que faz com que as pessoas pareçam achatadas. "Fomos assistir ao vídeo de um casamento de uma sobrinha, que aconteceu em Portugal, e pensei: 'Nossa, como minha sobrinha está gorda'", lembra o empresário. Na verdade, não estava. Era a televisão que achatava a imagem e fazia a menina parecer obesa.Além da imagem, muita gente se viu surpresa com o aumento do consumo de energia. Enquanto uma TV convencional de 32 polegadas consome em média 150 W, o consumo médio de energia de um televisor de plasma de 42 polegadas é mais que o dobro, ficando em 320 W. As TVs com telas de cristal líquido também têm consumo menor que as de plasma.Desde o fim de abril, o Procon do Rio de Janeiro faz, em média,15 atendimentos telefônicos diários de consumidores reclamando do produto. O grande número de queixas reflete o boom de vendas da TV de plasma. No ano passado, foram vendidos 58 mil aparelhos entre plasma e cristal líquido. De janeiro a abril deste ano, foram vendidos 80 mil aparelhos.A TV de plasma, que foi o eletroeletrônico vedete na época da Copa do Mundo, perdeu o destaque que tinha no mercado. Na época, grandes redes varejistas chegaram a reduzir em 20% os preços em relação à cotação do fim de 2005. A Seleção Brasileira foi desclassificada e o preço do produto caiu ainda mais depois da Copa. Hoje um TV de plasma pode ser adquirido por R$ 4,650 mil. Antes do início da Copa, o produto custava cerca de R$ 8 mil.JustiçaPara resolver a insatisfação dos consumidores, a Comissão de Defesa do Consumidor da Assembléia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), presidida pela deputada estadual Cidinha Campos (PDT-RJ), entrou com uma ação coletiva de consumo contra seis fabricantes (Samsung, Philips, Panasonic, Gradiente, LG e Sony) por publicidade enganosa.No início de junho, a juíza Márcia Cunha, da 2.ª Vara Empresarial do Rio de Janeiro concedeu uma liminar que determinou que os fabricantes informem aos consumidores que a qualidade da imagem dos aparelhos no sistema transmissor do País não é a que prometem os anúncios. A juíza também determinou a suspensão imediata da publicidade do produto e fixou multa diária de R$ 100 mil pelo descumprimento da ordem.No fim da semana passada, essa liminar foi suspensa porque a LG argumentou que há outro processo semelhante movido pela Associação Nacional de Defesa da Cidadania e do Consumidor (Anadec), de Campinas, que era anterior à ação da Alerj. "Essa é uma tática dos advogados", diz Ronni Fratti, advogado da Anadec.Fratti diz que a Anadec moveu processos contra a LG e a Philips na Justiça de São Paulo. "A intenção é mover processos contra os demais fabricantes (Samsung, Panasonic, Philco, Gradiente e Semp Toshiba) nesta semana para que a Justiça obrigue as companhias a informar ao consumidor os riscos e defeitos do produto. "Vamos aguardar a decisão do STJ", afirma Solano de Camargo, advogado que representa as empresas Sony, LG, Samsung, Panasonic e Philips.

Agencia Estado,

14 de agosto de 2006 | 11h12

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