Ucrânia deve levar bolsas de NY a abrirem em baixa

O déficit comercial dos Estados Unidos em junho veio melhor do que o esperado, mas a piora da tensão na Ucrânia afeta os investidores

Altamiro Silva Júnior, correspondente, O Estado de S. Paulo

06 de agosto de 2014 | 10h25

Os índices futuros sinalizam uma abertura em baixa para as bolsas norte-americanas nesta quarta-feira, 06. O déficit comercial dos Estados Unidos em junho veio melhor do que o esperado, mas a piora da tensão na Ucrânia segue reduzindo o apetite por risco nesta manhã. Indicadores econômicos fracos na Europa, sobretudo a inesperada notícia de que a Itália voltou a entrar em recessão, também contribuem para a pressão de venda de ações. Às 10h15 (de Brasília), no mercado futuro, o Dow Jones perdia 0,32%, o S&P 500 recuava 0,35% e o Nasdaq cedia 0,59%.

O principal indicador do dia nos EUA já foi divulgado mais cedo. O saldo comercial negativo do país caiu para US$ 41,54 bilhões em junho, ante US$ 44,66 bilhões no mês anterior. Economistas previam um déficit maior em junho, de US$ 44,6 bilhões.

O indicador era esperado com ansiedade porque as exportações dos EUA não têm crescido como se esperava e, com isso, têm impedido maior expansão do Produto Interno Bruto (PIB). Como o dado de junho não havia saído quando o Departamento de Comércio divulgou na semana passada a primeira leitura do PIB do segundo trimestre, os técnicos do governo fizeram estimativas e previram o déficit em US$ 44,9 bilhões em junho. Por isso, o economista do RBC Capital Markets Tom Porcelli destaca que o número de hoje melhor que o esperado deve levar a revisões nas previsões para a próxima leitura do PIB, que sai no final deste mês.

Os índices futuros chegaram a reduzir a queda após a divulgação do déficit comercial dos EUA, mas o noticiário externo pesou mais e as perdas continuaram. Na Europa, a notícia de que a Itália voltou a entrar em recessão técnica e a queda das encomendas à indústria na Alemanha, influenciada pela crise na Ucrânia, reduzem o apetite por risco e influenciam os negócios em Wall Street. Além disso, a busca por proteção aumenta em meio a relatos de que a Rússia pode retaliar as sanções do Ocidente e declarações da Polônia dadas ontem de que Moscou está aumentando a presença militar na fronteira com a Ucrânia.

No noticiário de empresas, conglomerados de mídia e entretenimento divulgaram resultados melhores que o esperado. Os estúdios Walt Disney anunciaram que seu lucro líquido subiu 22% no período de abril a junho deste ano, o terceiro trimestre fiscal da empresa, para US$ 2,25 bilhões. O conglomerado Time Warner revelou expansão de 10,2% nos ganhos, para US$ 850 milhões, puxado pelos números da HBO. No pré-mercado, o papel da Disney perdia 0,58% e o da Time Warner recuava 13,14%.

A queda da ação da Time Warner é reflexo, porém, da decisão da 21st Century Fox, do megaempresário de comunicações Rupert Murdoch, que ontem decidiu retirar uma oferta de compra pela empresa de US$ 80 bilhões. A 21st Century Fox vai publicar seu balanço após o fechamento do mercado. A empresa subia 6,26% no pré-mercado.

No setor de internet, a empresa de comércio eletrônico Groupon era destaque de queda no pré-mercado, despencando 17%. Ontem, após o fechamento do mercado, a companhia divulgou que seu prejuízo líquido aumentou para US$ 22,9 milhões no segundo trimestre, comparado a US$ 7,6 milhões no mesmo período de 2013. As receitas subiram 24%.

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