UE reduz projeções de PIB e inflação da zona do euro em 2014 e 2015

Das cinco maiores economias da zona do euro, apenas a Espanha deve apresentar crescimento acima do esperado

Leda Samara, Lucas Hirata com informações da Dow Jones, O Estado de S. Paulo

04 de novembro de 2014 | 09h39

LONDRES - A Comissão Europeia reduziu hoje suas projeções de crescimento para a zona do euro, citando as tensões na Ucrânia e no Oriente Médio e a escassez de investimentos.

A entidade, que é o braço executivo da União Europeia, prevê que a inflação na zona do euro, formada por 18 países, permanecerá abaixo da meta oficial do Banco Central Europeu (BCE) - que é de taxa ligeiramente inferior a 2,0% - até pelo menos 2016. Isso provavelmente vai alimentar expectativas de que o BCE adote medidas de estímulos ainda mais agressivas, como um programa de relaxamento quantitativo, que envolveria compras em larga escala de bônus soberanos. O BCE se reúne para revisar sua política monetária na quinta-feira, 6.

A comissão agora espera que o Produto Interno Bruto (PIB) da zona do euro crescerá 0,8% este ano, ante previsão anterior de alta de 1,2%. Para 2015, a previsão é de expansão de 1,1%, também menor que o aumento de 1,7% estimado anteriormente. Em 2016, o crescimento no bloco deverá acelerar para 1,7%, segundo o órgão europeu.

As projeções da zona do euro foram influenciadas pelo crescimento mais fraco que o esperado em grandes países da área, como Alemanha, França e Itália.

O cenário é aparentemente um pouco melhor para a UE, que inclui a zona do euro e outros dez países. A projeção é que o PIB da UE crescerá 1,3% em 2014, menos do que o acréscimo de 1,6% estimado antes. Em 2015, espera-se que o PIB da região suba 1,5%, ante projeção anterior de +2,0%. Para 2016, a previsão é de crescimento mais forte, de 2,0%.

"A situação econômica e do emprego não está melhorando suficientemente rápido", comentou Jyrki Katainen, vice-presidente para empregos e crescimento da entidade. "A Comissão Europeia está comprometida a usar todas as ferramentas necessárias para criar mais empregos e impulsionar o crescimento na Europa."

Em relação à inflação, a comissão prevê que os preços ao consumidor da zona do euro deverão subir 0,5% este ano, 0,8% em 2015 e 1,5% em 2016. Anteriormente, as projeções de inflação para o bloco eram de 0,8% e 1,2% em 2014 e 2015, respectivamente.

O crescimento fraco e a inflação baixa pioram as chances de a zona do euro se recuperar de sua crise da dívida, dificultando a situação de países muito endividados, como Grécia, Itália e Espanha, entre outros.

As projeções de hoje também formam a base para a avaliação da comissão sobre os orçamentos nacionais de 2015. Embora a previsão de expansão menor signifique que alguns países poderão ganhar tempo adicional para reduzir seus déficits fiscais para menos de 3%, como exigido pela lei europeia, ela também deverá levar a exigências de novas medidas de austeridade em algumas partes da região, como França e Itália. Segundo as previsões, tanto Paris quanto Roma não vão conseguir reduzir seus déficits tanto quanto se esperava, mesmo desconsiderando-se os efeitos da economia fraca. 

Alemanha. A economia da Alemanha deverá estagnar durante o resto do 2014, antes de ganhar ritmo lentamente no próximo ano. "A atividade econômica pode permanecer fraca até o primeiro semestre de 2015", disse a Comissão Europeia. A previsão de crescimento do país em 2014 foi cortada para 1,3%, de uma estimativa de expansão de 1,8% publicada em maio. A Comissão prevê um crescimento de apenas 1,1% em 2015, ante a alta de 2% na projeção anterior. 

"Diante de um mercado de trabalho robusto, condições de financiamento favoráveis e um ambiente externo melhor, o crescimento deve recuperar gradualmente o impulso ao longo de 2015", acrescentou. A Comissão disse que o crescimento deve ficar em 1,8% em 2016, embora tenha ressaltado que isso seria apoiado por um aumento no número de dias úteis. 

A situação fiscal da Alemanha continuará forte, disse a Comissão. É previsto um superávit orçamentário neste ano de 0,2% do PIB, seguido por um orçamento equilibrado em 2015, antes de retornar a um superávit de 0,2% em 2016.

França. Reforçando que o desenvolvimento econômico no país deve permanecer mais lento em 2015 e a dívida francesa vai continuar aumentando, a Comissão Europeia cortou a projeção de crescimento do PIB francês de 1,0% para 0,3% em 2014. A estimativa para 2015 também foi revisada, de 1,5% na projeção anterior, para 0,7%. 

Ao avaliar os riscos para as perspectivas econômicas da França, a Comissão disse que "uma implementação mais rigorosa de reformas estruturais" poderia impulsionar a atividade, enquanto que uma maior deterioração da confiança poderia "agir como empecilho para a recuperação já frágil do país".  

A Comissão Europeia disse que discorda da afirmação do governo francês de que o déficit do país vai atingir seu pico neste ano, em 4,4% do PIB, e então passará a recuar no ano que vem. Pelo contrário, para a Comissão, o déficit da França vai continuar aumentando, chegando a 4,5% do PIB em 2015 e 4,7% em 2016.

Itália. A terceira maior economia da zona do euro deve ter uma contração em 2014, pelo terceiro ano consecutivo. A economia italiana deverá se recuperar apenas ligeiramente em 2015, impulsionada pela demanda externa. Segundo a Comissão Europeia, o PIB italiano terá contração de 0,4% em 2014, ante uma previsão anterior de expansão de 0,6%. A estimativa é de que haja uma recuperação frágil em 2015, com o PIB crescendo apenas 0,6%, ante uma previsão anterior de expansão de 1,2%. 

O déficit orçamentário da Itália deverá atingir 3% do PIB neste ano, em linha com o limite imposto por regras da UE, e recuará para 2,7% em 2015, disse a Comissão. As previsões anteriores eram de déficit orçamentário de 2,6% do PIB em 2014 e de 2,2% em 2015. 

A dívida da Itália - a segundo maior na zona do euro - deverá crescer para 132,2% do PIB neste ano e para um pico de 133,8% em 2015, antes de começar a recuar em 2016

Portugal. As previsões de crescimento econômico de Portugal para 2014 e 2015 também foram cortadas e o país não deve atingir as metas orçamentárias previstas no programa de resgate, afirmou o braço executivo da União Europeia.

A Comissão prevê que a economia crescerá 0,9% neste ano e 1,3% em 2015, em comparação a previsões anteriores de expansão de 1,2% e 1,5%, respectivamente. O déficit orçamentário do país deverá ficar em 4,9% do PIB em 2014 e recuará para 3,3% em 2015. Ambas as previsões, no entanto, são maiores do que as metas a que Portugal se comprometeu no âmbito do seu programa de resgate, que terminou em maio. 

Segundo esses objetivos, o déficit deveria ser de 4% do PIB neste ano e 2,5% em 2015. O governo disse que vai cumprir a meta deste ano, mas o objetivo no próximo ano deverá ser de 2,7% do PIB.

Espanha. Por outro lado, a economia da Espanha deverá crescer mais que o esperado em 2014, embora a projeção de expansão em 2015 tenha sido diminuída.

O PIB espanhol deverá ter expansão de 1,2% neste ano, ante a previsão anterior de crescimento de 1,1%. A quarta maior economia da zona do euro deverá ter alta de 1,7% em 2015 e de 2,2% em 2016. Na projeção anterior, a Comissão Europeia previa um crescimento de 2,1% em 2015. 

A organização afirmou ainda que, embora o crescimento tenha perdido um pouco de fôlego no segundo semestre deste ano, a recuperação da Espanha provavelmente irá "retomar o impulso em seguida, diante de melhora na confiança, um afrouxamento das condições de financiamento e melhores perspectivas de mercado de trabalho". Fonte: Dow Jones Newswires.

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