UOL é investimento atraente

Através da metodologia de fluxo de caixa descontado à taxa de 15,4 % ao ano e crescimento nominal de 7% na perpetuidade, obtivemos preço-alvo de R$25,15 por ação, que indica potencial de valorização de 68% frente à cotação atual de mercado. O UOL é o principal portal de mídia online e empresa de Internet no Brasil, com base em páginas vistas mensalmente, tempo de permanência online por mês e em número de assinantes pagantes (1.448 mil em 31/12/05), além de deter a liderança, em termos de participação de mercado de market aproximadamente 31%, em publicidade online. Os principais pontos de nossa avaliação são os seguintes: 1) O principal objetivo do UOL é crescer a participação da publicidade online no faturamento, sobretudo através de links patrocinados, para algo em torno de 50% nos próximos anos. Esse segmento possui margens operacionais significativamente superiores (cerca de 70%) daquelas obtidas com assinaturas de conteúdo e serviços (20% em média). Como líder de mercado em audiência, o UOL absorverá boa parte do crescimento esperado em publicidade online; 2) Atualmente, o porcentual de receitas com publicidade é apenas 10% sobre o faturamento total. Em nosso modelo de avaliação, projetamos que a companhia atingirá o objetivo acima destacado em 2015. 3) Ganhos de escala em um segmento mais rentável impulsionarão as margens operacionais da companhia nos próximos anos. 4) Estimamos que o UOL irá manter a atual participação de mercado de 16% sobre o número de assinantes de banda larga no País nos próximos anos. Assim, em avaliação assumimos que o UOL (1) será bem-sucedido em capturar boa parte do crescimento esperado em publicidade online para os próximos anos e (2) que continuará mantendo sua participação de mercado atual no provimento de acesso em banda larga. Por outro lado, alertamos para os pontos críticos que envolvem o investimento em UOL, sobretudo, se levarmos em conta que boa parte da geração de valor projetada para companhia baseia-se em apostas de longo prazo, em um mercado ainda em formação e de pouca previsibilidade, como é o caso da Internet. Riscos Os principais riscos do investimento são os seguintes: 1) Eventual perda significativa de audiência, em função de maior competição; 2) Reversão de expectativas quanto ao crescimento de publicidade online; 3) Mudanças na legislação que desobriguem o usuário de conexão ADSL em contratar provedor de acesso. Pontos Chaves do Investimento Pontos Fortes 1) Como líder de mercado, atingindo aproximadamente 63% dos usuários domiciliares da Internet no Brasil, o UOL absorverá boa parte do crescimento esperado em publicidade online (direta ou via links patrocinados), que são serviços com margens significativamente mais elevadas do que os de assinatura para acesso à Internet. Este mercado ainda não é relevante, respondendo por apenas 1,7% do total de publicidade no país, estimada em R$ 13 bilhões em 2005. Além disso, é bastante inferior à média global, de cerca de 5%. O UOL detém 31% de participação em publicidade online no País; 2) Em 2002, 47% do total de anunciantes online correspondia a empresas ?ponto com?. Em 2005, este percentual caiu para 22% e, desta forma, as empresas ditas ?reais? estão gradualmente superando as restrições e/ou desconhecimento que possuíam a respeito da eficácia da propaganda online; 3) Aproximadamente 80% de seu conteúdo é desenvolvido internamente. Cerca de 70% do mesmo é aberto a qualquer usuário, fato que ajuda a atrair anunciantes para seu portal, que possui mais de sete milhões de páginas. Adicionalmente, o UOL possui cerca de sete milhões de contas ativas de e-mail, que alimentam um enorme banco de dados com o perfil de seus usuários, facilitando a segmentação da oferta de serviços; 4) O UOL destaca-se por oferecer serviços que utilizam tecnologia inovadora, como o UOL Fone (VoIP), fotoblog para telefones celulares, AntiSpam, entre outros. É pioneiro mundial, inclusive, em alguns casos, como nos lançamentos do acelerador de conexão (2003) e de links patrocinados por perfil (2005); 5) Os investimentos mais pesados em conteúdo, acesso e tecnologia já foram realizados nos últimos anos e dessa forma, a empresa possui baixa necessidade de investimentos, estimados em U$ 10 milhões ao ano para os próximos exercícios. Esse montante não inclui eventuais aquisições; 6) A língua portuguesa cria uma barreira natural à entrada de competidores estrangeiros, inclusive de língua hispânica; 7) O UOL conta com executivos experientes, que conduziram a empresa com eficiência, sobretudo, no período de estouro da bolha de Internet. Oportunidades Após a oferta pública de ações, o UOL passou a deter caixa líquido de R$ 334 milhões, estratégico para novas aquisições. Assim, a companhia poderá vir a se tornar a principal consolidadora de portais de mídia do País e ganhar musculatura; Na medida em que os negócios mundiais caminham cada vez mais para o ?universo online?, os grandes competidores têm travado batalhas para estabelecer a liderança como portal global de Internet. O mais recente capítulo foi a disputa entre Microsoft, Google (vencedor) e Yahoo, pela AOL. Assim, o UOL, na qualidade de maior portal em língua portuguesa, poderá tornar-se, no futuro, um ativo estratégico e, em conseqüência, alvo de aquisição desses grupos. O Brasil, contudo, ainda não é prioridade para os principais competidores mundiais, que atualmente concentram seu poder de fogo nos EUA, Europa e Ásia; A empresa estabeleceu a extensão de tag along (direito dos minoritários de receber o mesmo valor pago pelas ações que representam o controle) de 100% às ações preferenciais, em caso da venda do controle da companhia. Além de outros serviços, a companhia, aproveitando-se de sua infra-estrutura, tem buscado a diversificação do portfólio de serviços, inclusive para não assinantes. Neste contexto, lançou recentemente o UOL Fone, uma ferramenta de VoIP pré-paga. Pontos Fracos/Riscos Apesar da posição de liderança, o UOL sofre competição acirrada em quase todos os segmentos de negócios. Dentre os principais concorrentes, destacamos: portais globais de Internet; empresas de publicidade e links patrocinados; portais brasileiros que oferecem serviços a preços mais baixos; provedores de acesso gratuito à Internet; empresas de mídia; e empresas de telecomunicações. Além disso, caso o mercado se aqueça rapidamente, há alguns ?gigantes adormecidos?, como Globo, que ainda não encontrou uma solução de portal de mídia adequada para disponibilizar o enorme conteúdo que produz, sem canibalizar o seu core business, que poderão intensificar sua atuação no segmento, acirrando a competição. Este risco não está incorporado em nossa avaliação. A Publicidade online possui pouca tradição e a principal estratégia de crescimento do UOL é aumentar a participação de publicidade e links patrocinados no seu faturamento. Contudo, este pode ser um mercado de difícil penetração, pois os anunciantes ainda têm pouca experiência no uso da Internet para publicidade. O valor da assinatura de acesso e conteúdo caiu sensivelmente nos últimos anos. Em nossas projeções, consideramos o valor atualmente aplicado próximo do piso-limite, atribuindo apenas quedas marginais para os próximos exercícios. Assim, reduções mais acentuadas poderão impactar negativamente a nossa avaliação da companhia. A contratação de um provedor de conteúdo não é uma necessidade técnica para as conexões de banda larga, como ADSL - é uma norma da Anatel. Caso a atual obrigatoriedade seja extinta, o modelo de negócios do UOL, ainda muito concentrado em assinantes pagantes de acesso e conteúdo, será prejudicado. Contudo, consideramos baixa a probabilidade de ocorrência, no curto prazo, e não a incorporamos em nossas projeções. Adicionalmente, não há regulamentação para a Internet no Brasil, mas há vários projetos tramitando no Congresso Nacional para a criação do marco regulatório do setor, fato que pode gerar incertezas. Outro ponto relevante é que o modelo de negócios do UOL é muito sensível ao desempenho da economia. Em nosso cenário-base, utilizamos expansões do PIB de 3,5% para 2006 e 2007, de 3,75% para 2009 e 2010 e de 4% para os exercícios subseqüentes. Assim, valores muito abaixo desses porcentuais implicarão em uma revisão para baixo de nosso preço-alvo. O número de usuários de Internet no Brasil tem crescido a taxas consideradas pequenas, em função das barreiras de renda e preço de computadores.

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