Usiminas vai investir para aumentar produção em 55%

A Usiminas, maior produtora de aços planos da América Latina, anunciou ontem um pacote de US$ 8,4 bilhões em investimentos até o ano de 2015. Com isso, a companhia pretende alcançar uma capacidade de produção de 14,7 milhões de toneladas de aço por ano. A expansão de 5,2 milhões de toneladas prevista no investimento transformará a Usiminas de 29ª em 14ª produtora mundial.O aumento de 55% na capacidade de produção será feito por conta própria, sem sócios. Seu objetivo é ajustar a capacidade de produção às expectativas de crescimento de consumo de aço, principalmente no Brasil. Hoje, a Usiminas detém 52% do fornecimento de aço no País e é responsável por 60% de tudo o que o setor automotivo consome. Sem investimentos, essa posição estava ameaçada.A principal novidade no anúncio foi a expansão da Usina Ipatinga, em Minas Gerais. Lá, a companhia pretende construir um novo alto-forno para expandir a produção de aço líquido em 2,2 milhões de toneladas por ano. Nesta expansão, já assegurada, o grupo elevará sua capacidade de produção de 9,5 milhões para 11,7 milhões de toneladas entre 2010 e 2011.O investimento para esta primeira expansão será de US$ 2,6 bilhões, mas o aporte total na Usina de Ipatinga será de US$ 4,3 bilhões, já que inclui os investimentos adicionais como a termelétrica, a coqueria e os equipamentos que permitirão a produção de produtos mais caros. A Cosipa, em Cubatão (SP), que também será contemplada no plano, receberá US$ 1,4 bilhão.Nova usinaO pacote de investimentos será completado com a construção de uma nova usina de placas para exportação, com capacidade para 3 milhões de toneladas por ano. O valor do negócio é de US$ 2,7 bilhões e a ?primeira opção? é construí-lo em Cubatão, ao lado da Cosipa. Mas para pôr o plano em marcha, há condições. A primeira é encontrar uma parceria para laminar as placas que serão produzidas no Brasil. A própria Usiminas não descarta comprar uma laminadora no exterior.De qualquer forma, a história desta nova usina sofreu uma pequena mudança. Até agora, a companhia só investiria nesta usina com um parceiro definido. ?O parceiro para a construção não é mais uma condicionante para o projeto?, afirma o diretor-presidente da Usiminas, Rinaldo Campos Soares. A expansão da economia mundial pode assegurar as condições para que o negócio se viabilize. O prazo não está definido, mas a perspectiva é que a unidade esteja em produção até 2015.Especialistas de mercado viram, na decisão, a influência de alguns dos sócios que estavam descontentes com o ritmo de expansão da Usiminas. A Vale do Rio Doce, uma das sócias da Usiminas, havia cobrado publicamente uma postura mais agressiva da siderúrgica. A Vale considerava a Usiminas acomodada diante da movimentação mundial no setor siderúrgico, acelerada depois que a Mittal e Arcelor se juntaram para formar o maior produtor mundial de aço. A Vale fornece minério para a Usiminas, e o crescimento da siderúrgica significa mais demanda para a mineradora.A própria direção da Usiminas admitiu postura conservadora em relação aos investimentos. ?Está na hora de dar um passo?, disse Soares. Em 2006, a empresa alcançou a menor relação entre dívida líquida sobre geração de caixa: 0,2 vez. Essa relação era de 4,5 vezes em 2001. Cerca de 70% do investimento - US$ 5,88 bilhões - serão feitos por meio de empréstimos. Para analistas de mercado, a Usiminas tem folga financeira, o que permite aumentar o endividamento.

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