André Dusek/Estadão
André Dusek/Estadão

Usina de Belo Monte pode atrasar por causa de greves, diz grupo construtor

Após série de protestos, ocupações e depredações, consórcio responsável pela principal obra do PAC admite que cronograma pode estar comprometido

Fátima Lessa, especial para O Estado,

16 de abril de 2013 | 18h17

CUIABÁ - Depois de 15 ocupações, depredações e nove paralisações dos tabalhadores desde julho de 2011, quando começaram as obras da Usina Hidrelétrica Belo Monte, no Rio Xingu, no Pará, o consórcio construtor admitiu, pela primeira, que o cronograma pode ser afetado.

Belo Monte é a maior obra do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) do governo federal. A assessoria do CCBM disse que não tem como medir prejuízos, pois depende de cálculos das seguradoras.

Em 2012, durante uma paralisação total das obras por determinação da Justiça Federal, diretores da Norte Energia, empresa responsável pela construção e operação da usina, apontavam que cada dia de paralisação total da obra representava um prejuízo de R$ 12 milhões.

O reconhecimento da possibilidade de atraso das obras acontece dias depois que a Defensoria Pública do Pará pediu ao Ministério Público Federal que investigue o uso da Força Nacional como "vigia de canteiro".

Os defensores querem saber se o uso da Força Nacional é legal. O pedido foi feito depois que os defensores foram até a Belo Monte fazer uma vistoria e ouviram dos trabalhadores denuncias de 'ação truculenta' dos soldados da Força Nacional.

O diretor Administrativo do consórcio construtor, Marcos Sordi, em entrevista a imprensa oficial, falou que só a importância do empreendimento para o País já justificaria a presença da Força Nacional. "O efetivo da Força Nacional, que atua sempre sob autorização expressa do Ministério da Justiça, tem agido não para efender interesses do consórcio construtor, mas para oferecer segurança aos nossos milhares de funcionários, que também sofrem com as ações violentas de grupos radicais que invadem nossas frentes de obras", afirmou.

Para os defensores públicos, nenhuma força pública pode estar à disposição de qualquer empreendimento privado, devendo ser chamada apenas quando há um fato específico. A presença da tropa federal em Belo Monte atende ao pedido do Ministério de Minas e Energia ao Ministério da Justiça em 21 de março.

Em nota, o consórcio relata pontualmente os principais episódios que dificultaram o andamento das obras:

Setembro de 2011 -  Justiça Federal determinou paralisação da obra.

Outubro de 2011 - Obstrução de acesso por manifestantes (Seminário Mundial contra Belo Monte).

Novembro de 2011 - Primeira greve dos trabalhadores.

Janeiro de 2012 - Movimento Xingu Vivo ocupa o Sítio Pimental.

Março de 2012 - Greve de trabalhadores.

Julho de 2012 - Integrantes do Xingu Vivo e indígenas entraram e depredaram o escritório administrativo do Sítio Belo Monte. Consórcio construtor denuncia furtos de equipamentos.

Julho de 2012 -  Paralisação da produção no Sítio Pimental, com ocupação de indígenas na Ilha Marciana.

Setembro de 2012 - Pescadores fazem manifestação e impedem o acesso fluvial à área de construção do Sistema de Transposição de Embarcações nas Ilhas de Serra e Pedra do Sítio Pimental.

Outubro de 2012 - Paralisação de atividades no Sítio Pimental, por indígenas.

Novembro de 2012 - Trabalhadores fazem manifestação, quebram equipamentos no Sítio Belo Monte e incendeiam veículos em canteiro e em via de acesso.

Janeiro de 2013 - Índios impedem acesso ao Sítio Pimental.

Março de 2013 - Produtores rurais e indígenas ocupam e causam paralisação da produção no Sitio Pimental.Segundo o consórcio, um homem é encontrado com dinamite no alojamento do Sítio Belo Monte; Sítios, canais e diques e Belo Monte sofrem depredações e têm alojamentos incendiados.

Abril de 2013 - Conlutas mobiliza trabalhadores e paralisa produção nos Sítios Belo Monte e Pimental.

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