Vale consegue crédito de US$ 34 bi para compra da Inco

Trinta e quatro bancos participarão da oferta de compra da canadense Inco pela Companhia Vale do Rio Doce. A mineradora brasileira fechou empréstimo ponte com o pool de bancos - capitaneado pelo Credit Suisse, UBS, ABN Amro e Santander -, com US$ 34 bilhões disponíveis. A Vale utilizará pouco mais da metade desse valor, cerca de US$ 18 bilhões, para fechar o negócio.A compra da mineradora canadense de níquel, apesar de envolver a mais vultosa cifra já ofertada para aquisição de uma empresa entre as companhias latino-americanas, não deve retirar a Vale do seleto grupo de empresas classificadas com baixo risco de crédito (grau de investimento). Para garantir a manutenção do "investment grade" internacional, algumas medidas estão sendo tomadas, como a diluição do endividamento por um prazo maior.Na próxima segunda-feira, dia 16, termina o prazo para que os acionistas da Inco decidam se aceitam ou não a oferta da Vale de 86 dólares canadenses, à vista, por ação ordinária para garantir o controle da empresa. A proposta prevê a compra de até 100% das ações.A Inco é líder no mercado global de níquel. É a segunda maior produtora e a primeira em reservas do mineral no mundo. A compra da empresa atende a uma estratégia da Vale de se tornar uma mineradora mais diversificada, reduzindo a dependência pesada do minério de ferro. Concretizando a compra, a companhia se firmaria como a empresa com maior potencial de crescimento na produção de níquel do mundo e escalaria, de uma só vez, duas posições no ranking mundial, firmando-se no segundo lugar entre as mineradoras, atrás somente da BHP Billiton.A diretoria da Vale vem trabalhando pesado para reduzir o custo do capital e mostrar aos investidores internacionais que a operação não irá prejudicar seu perfil. "Essa é uma grande vitória nossa nas discussões (com as empresas de classificação de risco). Mostramos a capacidade da Vale em lidar com seus compromissos. Foi extremamente positivo", afirmou ontem o diretor-executivo de Finanças da mineradora, Fábio Barbosa.As ações da Vale chegaram a cair forte logo após o anúncio da oferta pela Inco, sob a alegação de especialistas de que a operação poderia aumentar o endividamento e diminuir a possibilidade da empresa de pagar dividendos extras este ano. Desde 2002, quando adotou uma política de dividendos mínimos baseados na geração de caixa, a Vale ofereceu anualmente um pagamento adicional aos acionistas.Mas analistas acreditam que essa estratégia não será seguida este ano. A expectativa é de que a empresa prefira manter mais recursos em caixa para fazer frente à operação. Barbosa, revelou que a mineradora já tem planos de alongar a linha de financiamento, inicialmente prevista para dois anos, para sete anos, no mínimo."Iniciaremos logo o refinanciamento desse empréstimo", disse Barbosa. Hoje, a mineradora tem uma dívida total de US$ 5,9 bilhões, que gira também com um prazo médio de sete anos.Califórnia SteelBarbosa não quis comentar as notícias de que a Vale estaria interessada na venda de sua fatia de 50% na California Steel Industries (CSI), dos EUA, na qual divide sociedade com a siderúrgica japonesa JFE. Desde o início do mês, investidores vêm comentando que a empresa estaria interessada em se desfazer de algumas participações, para diminuir seu endividamento antes da conclusão da oferta de compra pela canadense Inco.

Agencia Estado,

11 de outubro de 2006 | 09h18

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