Vale deve optar por converter fatia excedente em PN

Analistas ouvidos pela Agência Estado avaliam que a Vale do Rio Doce deverá optar por converter em ações preferenciais sua fatia excedente ao limite de 20% em ações ordinárias da MRS Logística. A Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) deve publicar hoje uma resolução obrigando a Vale do Rio Doce a tomar uma decisão sobre o assunto dentro de 120 dias. A Agência deu à mineradora a opção de vender a fatia excedente (de 18,32% das ações ON, obtidas por meio da aquisição da Ferteco Mineração) ou converter essa fatia em ações PN, sem direito a voto, para cumprir a legislação do setor, que limita a participação dos sócios de concessionárias de ferrovias em 20% do capital votante. Para Catarina Pedrosa, do Banif Investment Banking, é pouco provável que a Vale encontre um comprador para a fatia, caso opte pela venda. Entre os demais acionistas da MRS - Usiminas, CSN e Gerdau - apenas esta última estaria em condições de adquirir a participação, pois as outras duas também já estão próximas do limite de 20%. Segundo Catarina, a Gerdau já teria sinalizado que não possui interesse em aumentar sua parte na MRS. "A 'esterilização' das ações excedentes é a solução mais provável", avalia a especialista. O analista da ABN Amro Real Corretora Pedro Galdi também acredita neste caminho. Embora não descarte uma possível venda das ações, Galdi disse que a Vale já sinalizou que pretende continuar integralmente na MRS, abrindo mão de parte do direito de voto, mas de olho nos dividendos. "Eles devem manter a fatia para garantir dividendos maiores. Se a tarifa de carga subir, o dividendo também sobe, funcionando como uma espécie de hedge para a Vale", explicou.

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