FOTO:WERTHER SANTANA/ESTADÃO CONTEÚDO
FOTO:WERTHER SANTANA/ESTADÃO CONTEÚDO

Vale e siderúrgicas estão bem posicionadas para crescer em 2019

Aceleração do ritmo de crescimento da China e retomada da economia local, principalmente do setor automotivo, trazem otimismo ao setor

Renato Carvalho e Simone Cavalcanti, O Estado de S.Paulo

15 de dezembro de 2018 | 04h00

Os analistas demonstram otimismo com as empresas produtoras de commodities metálicas para 2019. Ao tratar de Vale e siderúrgicas, a confiança está baseada principalmente na aceleração do ritmo de crescimento da China, e também na retomada da economia local, principalmente do setor automotivo, muito relevante para as produtoras de aço.

 

Para Ricardo Peretti, estrategista de pessoa física da Santander Corretora, as perspectivas para a Vale são muito positivas. "As mudanças implementadas na China desde 2016, com o objetivo de reduzir a poluição, levaram ao fechamento de capacidade de produção, que aumentou a lucratividade das siderúrgicas chinesas e impulsionou um aumento na demanda por minério de maior qualidade, foco atual da Vale", diz Perretti.

Na visão de Pedro Galdi, analista da Mirae Asset, a Vale está em uma condição muito positiva para o próximo ano, com baixo endividamento, podendo adquirir ativos e ainda assim ampliar investimentos em Carajás. "A empresa não espera queda abrupta do preço do minério e a melhora de seu mix tende a ser beneficiada com demanda firme da China".

Sabrina Cassiani, analista da Coinvalores, confirma que a expectativa para a mineradora em termos operacionais é muito positiva. "Todavia, a desaceleração econômica na China segue como ponto de preocupação e deve trazer alguma volatilidade para suas ações, principalmente no começo do ano", completa.

Sobre as siderúrgicas, Alexandre Faturi, analista da Nova Futura, ressalta que o setor tem sofrido com o recrudescimento das tensões comerciais entre Estados Unidos e China, além da desvalorização nos preços internacionais do aço. Ele ressalta também as preocupações com a economia chinesa para 2019, mas acredita que as empresas vão se beneficiar da recuperação local. "Há um otimismo em relação aos setores que consomem aço, como o setor automotivo - que pode registrar um crescimento na ordem de 10%. Considerando isso, acreditamos que a Usiminas está melhor posicionada ".

Galdi, da Mirae, afirma que as preferidas da corretora no setor são Usiminas e Gerdau, por captarem o crescimento esperado no Brasil, e no caso da Gerdau, também o bom momento dos Estados Unidos. "Já a CSN tende a se beneficiar também, mas seu elevado endividamento minimiza resultados futuros e estamos com recomendação Neutra para sua ação".

"Quanto às siderúrgicas, vemos os últimos resultados do terceiro trimestre como um indicativo de um bom momento operacional no próximo ano, que se beneficiarão de uma aceleração da atividade industrial e preços do aço internacional ainda em patamares saudáveis", diz Perretti, do Santander.

Nesse sentido, a Terra Investimentosinseriu Usiminas PNA em sua carteira recomendada para a próxima semana. Segundo a corretora, o setor siderúrgico tende a ser um dos mais beneficiados pela retomada da atividade no governo Bolsonaro. Os analistas lembram que os volumes de aço crescem por volta de três vezes o crescimento do PIB em ciclos de retomada.

A Modalmais também realizou alterações em sua carteira. com entrada de Lojas Americanas PN, Duratex ON e EDP Energias do Brasil ON. A Nova Futura só manteve M. Dias Branco ON e acrescentou Banco do Brasil ON, TIM ON, Multiplan ON e Smiles ON.

Termômetro

O mercado financeiro se mostrou mais otimista com relação ao comportamento do Ibovespa na próxima semana (de 17 a 21 de dezembro), última antes dos feriados de final de ano. O Termômetro Broadcast desta sexta-feira, mostra que, entre 27 respostas, 55,56% disseram que a expectativa é de alta para o índice, acima dos 51,72% do levantamento anterior.

Houve um aumento maior na parcela dos que esperam estabilidade para o índice, passando de 17,24% para 25,93%. Assim, a fatia das expectativas que aponta para a baixa foi reduzida de 31,03% para 18,52% entre um levantamento e outro.

Nesta semana, o Banco Central protagoniza divulgações importantes com indicativos sobre a condução da política monetária e da atividade econômica. Logo na segunda-feira sai o IBC-Br, uma espécie de prévia do Produto Interno Bruto (PIB). No dia seguinte, será divulgada a ata da reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), em que ficou definida a manutenção da taxa básica de juros (Selic) em 6,5%. Já na quinta-feira, o BC apresenta o Relatório Trimestral de Inflação (RTI).

Notícias relacionadas

    Encontrou algum erro? Entre em contato

    Tendências:

    O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.