Sérgio Castro/Estadão
Sérgio Castro/Estadão

Bolsa sobe mais de 3% e dólar cai a R$ 3,94 no primeiro pregão do mês

Noticiário político no Brasil e otimismo com a China impulsionaram os negócios; dólar fechou em queda de 1,36%

Suzana Inhesta, Paula Dias, O Estado de S. Paulo

01 de março de 2016 | 12h01

O pregão desta terça-feira, 1º, marcou o segundo dia consecutivo de alta do Ibovespa, principal índice de ações da BM&FBovespa. O otimismo do cenário externo contagiou os investidores em relação ao mercado acionário brasileiro, embora a melhora da percepção de risco também tenha sido baseada nas últimas notícias da política nacional.

"Começamos o dia com expectativas positivas sobre a economia chinesa e estamos vendo também uma recuperação da Bolsa brasileira após quatro dias seguidos de queda", afirmou o gerente de mesa Bovespa da H.Commcor, Ari Santos. Hoje, o Ibovespa operou em terreno positivo desde o início do pregão, com ganhos de mais de 1%. No início da tarde alcançou o patamar dos 2% e encerrou os negócios a 3,10%, aos 44.121,79 pontos, com volume financeiro de R$ 6,795 bilhões (dados preliminares). Na mínima marcou 42.795 pontos (estável) e na máxima, 44.181 pontos (+3,24%). No ano acumula ganhos de 1,78%.

Sobre a China, o mercado espera novos estímulos à atividade econômica, após novos indicadores fracos. "Acredito que não será somente o banco central chinês que anunciará novos estímulos monetários, mas o japonês e até o norte-americano. Isso anima as commodities, como petróleo e minério, que mexem com as ações de Petrobrás, Vale e siderúrgicas", declarou o economista-chefe e gestor de investimentos da INVX Capital Asset, Eduardo Velho. Petrobrás PN (ações com preferência por dividendos) encerrou o dia em alta de 3,31% e as ON (com direito a voto) avançaram 2,99%. Vale PNA subiu 7,94% e a ON, 8,47%. Gerdau PN aumentou 1,98% e Usiminas PNA, 1,11%.

Entretanto, para o operador da mesa financeira da H.Commcor, Cleber Alessie, o mercado acionário brasileiro tem sido guiado pelas últimas notícias de cunho político. Hoje, executivos da Andrade Gutierrez afirmaram em delação premiada que a empresa pagou despesas da campanha eleitoral de Dilma Rousseff em 2010. Os pagamentos teriam sido feitos por meio de contrato fictício de prestação de serviço com a agência de comunicação Pepper no valor de R$ 5 milhões. Além disso, há a expectativa em torno da possibilidade de que o senador Delcídio Amaral (PT-MS) participe da delação premiada. Segundo fontes, o senador deverá renunciar à presidência da Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado.

"Grande parte dos investidores veem as notícias como positivas para uma definição e mudança no comando do País", ressaltou o especialista. "Claro que o fato se junta a um cenário externo melhor e um preço do petróleo tentando se consolidar no patamar de US$ 35 por barril", completou. Nesta terça-feira, o contrato brent negociado na ICE com vencimento em maio subiu 0,65%, para US$ 36,81 por barril. Já o petróleo WTI para abril subiu 1,92%, a US$ 34,40 por barril, o mais alto desde 05 de janeiro. 

Dólar. O cenário internacional favorável aos países emergentes e exportadores de commodities foi determinante para a queda expressiva do dólar. A moeda terminou o dia cotada a R$ 3,9441, com recuo de 1,36% frente ao real. Especulações sobre a possibilidade de o Banco Central realizar leilões de linha (venda de dólares com compromisso de recompra) contribuíram para reforçar a tendência.

O dólar chegou a ensaiar uma alta pela manhã, influenciado pelo fluxo negativo de recursos e pela volatilidade dos preços do petróleo. Na máxima registrada no dia, a cotação chegou a R$ 4,0180 (+0,49%). A baixa veio no final da manhã e ganhou força no início da tarde, com a virada dos preços do petróleo para o terreno positivo.

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