Vale vai além do minério de ferro para competir com BHP e Rio Tinto

A Companhia Vale do Rio Doce, maior produtora de minério de ferro do mundo, desembolsou cerca de US$ 3,2 bilhões nos últimos seis anos para diversificar sua produção. Investiu em minas e usinas para produzir bauxita, cobre, níquel e alumínio. Agora a empresa está dobrando a aposta. Este ano, a empresa está investindo o valor recorde de US$ 4, 6 bilhões (R$ 11,8 bilhões) e seu objetivo principal é fortalecer a estratégia de diversificação.O volume de investimentos equivale ao orçamento anual do programa Fome Zero, ou ao superávit da balança comercial de junho. É o esforço para consolidar a empresa como um dos principais grupos mineradores do mundo. ?Não há como uma mineradora ser grande globalmente se não for diversificada?, diz Gabriel Stoliar, diretor de Planejamento da Vale.Seguindo esta estratégia, a Vale anunciou na semana passada a compra da participação de 45,5% da BHP na Valesul, produtora de alumínio. Com isso, passou a deter 100% da empresa. Até o fim do ano, será efetivado investimento em projeto de carvão em Moçambique. Outro, na Austrália, está em estudos. Há outros projetos em avaliação, mas nenhuma grande aquisição de ativos em minério de ferro. A última compra deste tipo foi a da Caemi, em 2001.?Atingimos um limite em termos de crescimento por aquisições em relação ao minério de ferro?, diz Murilo Ferreira, diretor de Participações da Vale, lembrando que o grupo sempre analisa boas oportunidades de negócios, ?dentro e fora do País?. De certa forma, a estratégia da companhia reflete a movimentação do setor no mundo.Empurrada pela demanda crescente por minério de ferro, a Vale tornou-se a terceira mineradora do ranking mundial. Embora seja, de longe, a primeira em produção de minério de ferro e pelotas, seu valor de mercado é metade do alcançado pela BHP, que ultrapassou os US$ 100 bilhões. A segunda do ranking, a Rio Tinto é, como a BHP, uma empresa integrada, com ramificações em todos os minérios e no setor de energia.?O principal produto (da Vale) continuará sendo o minério de ferro. É o que temos em maior volume, maior qualidade e maior competitividade em nível mundial?, diz Stoliar. ?As primeiras aquisições que foram feitas no Brasil em minério de ferro tinham a lógica da consolidação e ganho de escala para competir com os australianos, e colocamos o Brasil em pé de igualdade com eles, que têm as duas maiores do mundo, a Rio Tinto e a BHP.?Do lado da venda de ativos, a cifra movimentada pela Vale também é bastante elevada. No mesmo período das aquisições, de maio de 2000 até este ano, a empresa arrecadou US$ 2,541 bilhões desfazendo-se de ativos fora do eixo da mineração, como as subsidiárias de papel, celulose, siderurgia, florestas e fertilizantes.Stoliar lembra que a grande discussão que acompanhou o início da fase privatizada da Vale foi sobre a posição estratégica para o futuro do grupo. Essa discussão não existe mais. ?O posicionamento dos acionistas é de que a Vale deve ser uma mineradora diversificada?, afirma Murilo Ferreira.

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