Valor da Petrobras no mercado já caiu R$ 34 bi em 2007

A Petrobras perdeu R$ 34 bilhões de seu valor de mercado neste início de ano, passando de R$ 234 bilhões para R$ 200 bilhões, com a queda de suas ações na Bovespa no período, segundo cálculos da Economática. Desde o início de janeiro, as ações da estatal se desvalorizaram em 14%, ante uma queda de 1,73% da Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) no mesmo período. A Petrobras é considerada a principal responsável pela queda da Bolsa, já que responde por 16% do Ibovespa.Para analistas, além da queda do preço do barril de petróleo no início de janeiro - que atingiu empresas de petróleo no mundo todo -, a estatal foi prejudicada pelo que o mercado identificou como ingerência política nas ações da empresa. ?Certamente o fato de a Petrobrás ter anunciado uma revisão de seus investimentos numa sexta-feira à noite, quando o Plano de Aceleração do Crescimento (PAC) seria anunciado na segunda-feira, demonstrou ao mercado essa interferência política no comando da empresa. Se a revisão não foi direcionada, então não sei o que foi?, disse Gustavo Gatass, do UBS, lembrando o fato de que a empresa aumentou o volume a ser investido este ano em pelo menos mais R$ 7,54 bilhões. Para Luiz Otávio Broad, da Corretora Ágora, a negociação com a Bolívia, que elevou o preço do gás comprado pelo Brasil do país vizinho, foi outro fator que demonstrou interferência do governo. ?Certamente a Petrobrás não teria concordado com esse acordo se não houvesse uma pressão do governo?, diz o analista. Na corretora, as ações da empresa já deixaram a lista dos papéis mais recomendados (top picks), como já vem ocorrendo em outras instituições financeiras.Outro fator lembrado pelos analistas como tendo forte influência na queda das ações foi o desapontamento do mercado com os resultados da empresa no quarto trimestre. O lucro, de R$ 5,2 bilhões, foi 35,8% menor do que no mesmo período do ano anterior, e R$ 1 bilhão menor que média esperada pelo mercado. Além de todos esses fatores, lembra outro especialista, que preferiu não se identificar, há ainda o fato de a companhia - mesmo negando - manter os preços da gasolina e do diesel desatrelados do valor do petróleo no mercado internacional.?Agora isso está favorável para a empresa, porque a gasolina e o diesel aqui estão mais caros do que lá fora. Mas essa resistência em mexer nos preços dos dois combustíveis nos remete diretamente ao risco político inerente a qualquer empresa estatal?, diz.

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