Valorização do câmbio preocupa BCs de várias partes do mundo

Hoje, a porta-voz do Banco da Tailândia, Suchada Kirakul, afirmou que a instituição deve anunciar dentro de uma semana medidas para incentivar a saída de capital

Danielle Chaves, da Agência Estado,

20 de setembro de 2010 | 14h56

O enfraquecimento do dólar, provocado pelas incertezas com a recuperação da economia dos EUA, vem levantando preocupações de governos de diversas partes do mundo com a excessiva valorização de suas moedas. Nesse contexto, paralelamente à massiva intervenção no câmbio feita pelo Japão na semana passada, outros países se movimentam para conter a apreciação de suas divisas.

 

Hoje, a porta-voz do Banco da Tailândia, Suchada Kirakul, afirmou que a instituição deve anunciar dentro de uma semana medidas para incentivar a saída de capital. As medidas propostas incluem ampliação do limite para investimento no exterior pelas companhias tailandesas e dos empréstimos concedidos às subsidiárias no exterior. "Estas medidas não irão conter diretamente a alta do baht, mas irão encorajar os investimentos tailandeses no exterior, o que ajudará a equilibrar os fluxos", disse Suchada.

 

No mesmo dia em que o governo japonês anunciou a intervenção, na última quarta-feira, a Colômbia informou a retomada da compra de dólares no mercado de câmbio para conter a apreciação do peso. O banco central vai comprar pelo menos US$ 20 milhões diariamente em moeda norte-americana durante os próximos quatro meses.

 

No começo deste mês, o presidente do Banco Central de Taiwan, Perng Fai-nan, pediu que os países asiáticos cooperem para limitar a especulação no câmbio. Perng destacou o grande fluxo de capital para os mercados de ações da região. "Diante de uma disparada nos fluxos de capital, regulamentações prudentes que tenham como meta segmentos específicos da economia podem ter um papel útil na redução da demanda por capital especulativo", disse na ocasião.

 

Sinais de incômodo também surgiram na Indonésia, onde, na semana passada, o presidente do banco central, Darmin Nasution, negou que o país vá seguir os passos do Japão, com uma intervenção agressiva para limitar os ganhos da rupia, mas vai agir para suavizar a volatilidade na moeda.

 

O Banco Central do Peru também já atuou no mercado de câmbio durante este ano. Na última quinta-feira, a instituição comprou US$ 10 milhões, a uma média de 2,788 sóis por dólar. O banco peruano tem comprado dólares regularmente desde 18 de junho, com o objetivo de diminuir a volatilidade no câmbio.

 

A isso soma-se a Suíça, que atuou várias vezes durante este ano para conter a valorização do franco. Na semana passada, o Banco Nacional da Suíça tentou, segundo analistas, pressionar a moeda do país ao cortar sua previsão de crescimento para 2011 e alertando que a deflação pode voltar - sinalizando, assim, que pode adiar uma alta no juro. No entanto, o fluxo de investimentos continua em favor do franco e a moeda suíça deve seguir em alta ante o dólar.

 

O dólar vem perdendo força na esteira da crise financeira, pressionado pelas incertezas com relação à recuperação econômica dos EUA. Desde o começo do ano, o dólar teve cerca de 6% de desvalorização diante do iene, enquanto o peso colombiano subiu 13% ante o dólar. Diante do dólar de Taiwan a moeda norte-americana acumula 1% de baixa, ante a rupia da Indonésia a queda é de mais de 4%, em relação ao baht da Tailândia o recuo é de cerca de 8% e ante o franco suíço, de 2,8%. A moeda peruana já subiu neste ano cerca de 3,3% ante o dólar.

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