Vendas da Coca-Cola no Brasil crescem mais do que na China e Índia

O presidente da Coca-Cola, o americano Brian Smith, está há quatro anos no Brasil, mas se sente em casa. Ele freqüenta desfiles no sambódromo, torceu pelo Brasil na Copa e até assumiu a rivalidade com a seleção argentina."Gostaria de ficar mais tempo aqui. O ritmo de vida no Rio é mais tranqüilo que nos Estados Unidos", diz ele.Há um bom motivo, porém, para Smith estar à vontade por aqui, além do samba, do futebol e das praias. Enquanto a Coca-Cola perdeu o fôlego em mercados desenvolvidos, no Brasil a empresa cresce mais rápido que nos demais mercados emergentes, como China ou Índia.Nos EUA, a Coca enfrenta dificuldades para agradar o consumidor mais jovem. Segundo um estudo do banco de investimentos Morgan Stanley, os jovens americanos de 13 a 17 anos consomem menos refrigerantes do que as pessoas de outras gerações. Eles preferem bebidas sem gás, como sucos, energéticos e chás. Em 2006, as vendas de refrigerantes devem cair 1,5% nos EUA.Já no Brasil, terceiro maior mercado da Coca em todo o mundo, a realidade é diferente. Em 2005, as vendas subiram 11%, elevando o faturamento a mais de R$ 10 bilhões por ano. No primeiro trimestre de 2006, as vendas cresceram mais 9% e não há sinais que o ritmo vá diminuir.Esse desempenho chamou a atenção dos investidores em Wall Street. Um relatório do banco de investimentos Bear Sterns recomendou a compra de ações da Coca, com base nos resultados alcançados em países em desenvolvimento, a começar pelo Brasil.O que explica o desempenho no Brasil? A primeira razão é de mercado. Com a queda do desemprego e o aumento de renda dos mais pobres, o consumo de refrigerantes disparou. "O mercado tem potencial de crescer bem mais", diz Brian. "O consumo brasileiro per capita ainda é três vezes menor que o do México."Em 2005, as empresas de refrigerantes venderam 12 bilhões de litros, um crescimento de 5% em relação a 2004. Nos primeiros meses de 2006, as vendas voltaram a crescer 5% e bateram o recorde de consumo no País.A outra explicação é a estratégia da Coca. Há pouco menos de uma década, a empresa levou um susto com a ascensão das tubaínas, refrigerantes populares, mais baratos que as marcas tradicionais. Desde então, a empresa adotou várias medidas para competir com as tubaínas. A mais importante delas foi a oferta de uma variedade maior de embalagens, de garrafas pequenas a vasilhames retornáveis. Enquanto uma garrafa de dois litros do tipo PET sai por volta de R$ 2,30, uma garrafa retornável de 1,5 litro custa R$ 1,50. Uma garrafinha retornável de 200 mililitros sai por R$ 0,50. "Aprendemos a oferecer o produto de acordo com as condições e necessidade do consumidor", diz Brian.

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