Vivax agrega valor às ações da Net, dizem analistas

A iniciativa da Net Serviços sobre a Vivax, além de ser um movimento natural e esperado de consolidação, demonstra que a companhia buscará crescimento para enfrentar as operadoras de telefonia no novo cenário convergente. A empresa conquistará 33 novas cidades, excluído o município de Santos (SP), para explorar o modelo de provedora triple play - TV paga, internet banda larga e telefonia. A Vivax ainda não lançou o pacote que embutia o serviço de voz, o que é um indício da duração das conversações com a Net. Isso porque ainda no primeiro semestre o conselho de administração da empresa já havia apresentado o projeto, em parceria com uma concessionária de telefonia, durante reunião com todos os membros presentes. Apesar de pronto, a empresa não fez nenhum lançamento comercial neste sentido. O analista da Ágora Invest Alexandre Garcia destacou que a Net buscou escala para seu negócio e, ao mesmo tempo, uma proteção do avanço das teles sobre o mercado de TV, dada a iminência de uma revisão na regulamentação do setor em busca de flexibilização para a convergência. As operadoras já adotaram medidas práticas rumo ao mercado de TV paga com a aquisição da Way Brasil pela Telemar e a solicitação da licença de satélite pela Telefônica - ambas no aguardo do aval da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel). Para Felipe Cunha, do Banco Brascan, trata-se de um movimento dentro da expectativa, uma vez que as redes das empresas são complementares. Ele ressaltou ainda que a história da Net também já mostrou que adquirir infra-estrutura instalada é mais vantajoso do que instalar novas redes. "A Net foi para onde ela não estava", completou André Rocha, analista do Unibanco Research. Vale ressaltar, porém, que o presidente da companhia, Francisco Valim, afirmou há cerca de dois meses ter interesse nas licenças de cabo que a agência reguladora pretende licitar em 2007. O objetivo do executivo é ter uma rede praticamente nacional, com atuação nas principais cidades. Garcia acredita que a estratégia de crescimento utilizada pela Telmex, sócia estratégica da Globo no comando da Net, também influenciou nessa movimentação. A gigante mexicana está expandindo sua atuação na América Latina por meio da compra de outras empresas, fora de sua área de origem. Não à toa, os comentários no mercado são sobre o apetite e a agressividade da Net e da Globo no cenário convergente, uma vez que uma tem a força política e a outra, a econômica. Os especialistas são unânimes em afirmar que a transação agrega valor à Net Serviços, e também aos acionistas da Vivax. Nenhum deles fez crítica à relação de troca estabelecida, embora tenha ficado abaixo do preço implícito um dia antes do anúncio do acordo. Rocha, do Unibanco, elevou o preço-alvo para Net de R$ 26,00 para R$ 27,40 em razão dessa aquisição. O novo preço-alvo representa potencial de valorização de 28,9% para as ações preferenciais da Net até outubro de 2007. Segundo Rocha, a Vivax agregará R$ 466 milhões à projeção de fluxo de caixa da empresa líder, sendo R$ 251 milhões de benefícios fiscais advindos do ágio pago, R$ 135 milhões de economias em despesas gerais e administrativas e R$ 80 milhões em custo de programação. "Mas essa é uma conta muito conservadora. Dá para ser muito mais agressivo." O ágio existente no negócio é de aproximadamente R$ 1,1 bilhão. Cunha, do Brascan, destacou que o custo de programação por assinante poderá ser diluído, bem como a receita média mensal por usuário (ARPU) da Vivax tende a ser ampliada. A expectativa é de que a Net leve para os mercados da Vivax o serviço de telefonia. Quanto às questões regulatórias, os analistas não acreditam em dificuldades para aprovação. Na opinião de Garcia, a Anatel deve aprovar porque o crescimento da Net representa aumento da competição para as concessionárias de telefonia, e a concorrência foi um dos principais pilares da privatização. Rocha, do Unibanco, acredita que o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) também não deverá impor barreira ao negócio, podendo apenas limitar ou estabelecer restrições para a atuação em Santos - única localidade em que as companhias competem.

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