Vivo não fala mais em ser a maior, mas como a melhor

A Vivo, maior operadora celular do País, está com uma campanha nova na rua. "Não queremos mais nos posicionar como o maior, mas como o melhor no que importa", afirmou o presidente da empresa, Roberto Lima. "Não que não queiramos mais ser o maior." O slogan é: "Sinal de qualidade".A mudança de discurso acontece num momento em que as competidoras se aproximam. Em março de 2003, a Vivo tinha uma participação de mercado de 47,1%. No mês passado, a fatia da empresa chegou a 28,6%. A TIM, segunda colocada, tinha 25,6% em fevereiro e a Claro, a terceira, 24,1%.O discurso de Lima contrasta com o dos concorrentes. "Vamos ser líderes do mercado, é uma questão de tempo", afirmou ontem o presidente da Claro, João Cox, em Belo Horizonte. Apesar de ainda ser a segunda em assinantes, a TIM já ultrapassou a Vivo em receita líquida no quarto trimestre do ano passado.GSMA Vivo também lançou ontem seus planos pós-pagos na tecnologia GSM, usada por todos os concorrentes. A empresa mantém a rede CDMA, com que vinha operando, agora mais voltada para quem precisa de comunicação de dados de alta velocidade.Apesar de permitir um uso melhor do espectro e desempenho superior em dados, a escala mundial do CDMA é muito menor que a do GSM, o que resultou em preços maiores e num menor número de fabricantes e modelos. No Brasil, o GSM respondia por dois terços do mercado em fevereiro.A situação vinha prejudicando o desempenho da Vivo, que era obrigada a subsidiar mais os aparelhos ou oferecer preços maiores. "O Betamax era melhor que o VHS, mas o que pegou foi o VHS", lembrou Lima, comparando a situação das tecnologias celulares com os videocassetes, onde a excelência técnica não foi suficiente para vencer a guerra.Até por causa disso, a Vivo resolveu falar menos de tecnologia e mais de serviços. O discurso tecnológico anterior da Vivo acabou trabalhando contra ela. Como o GSM chegou depois ao mercado brasileiro, os concorrentes venderam a idéia para uma boa parcela dos consumidores que a o CDMA era atrasado e o GSM avançado. Na verdade, a maioria das vantagens do GSM é de mercado, e não técnica. Uma das vantagens técnicas é o chip, em que o consumidor carrega sua identificação, recurso que passa a ser oferecido aos clientes da Vivo.A Vivo começou a vender pré-pagos GSM em dezembro e ultrapassou 300 mil clientes em três meses de comercialização. Segundo a empresa, cerca de 90% vieram de outras operadoras. A empresa vai levar o GSM para seus 8 mil pontos-de-venda. A carteira de produtos começa com 23 modelos de seis fabricantes, com preços a partir de R$ 49 para o pós-pago e a partir de R$ 99 para o pré-pago.MudançasCom a adoção da tecnologia GSM, os clientes da Vivo passam a ter cobertura digital em Minas Gerais e nos seis Estados do Nordeste em que a empresa não está presente. Além disso, quando viajarem para a Europa, não precisarão mais trocar de aparelho.Os clientes também terão acesso a um número maior de aparelhos, a preços menores. Existem muitos modelos sem chip no mercado, para quem quer trocar de aparelho. A Vivo investiu R$ 1,08 bilhão em sua rede GSM, que foi construída em cinco meses.O cliente CDMA pode migrar para o GSM e manter o número. Mas a Vivo não oferece nenhum incentivo para quem quiser migrar. Lima não quis falar sobre expectativas de crescimento do GSM na sua base. Mas ele falou sobre o que espera do mercado brasileiro de telefonia celular como um todo para este ano: "Deve crescer entre 12% e 13%. O preço dos aparelhos está caindo e o mercado de usados também tem sua importância na ampliação do acesso ao serviço." (Colaborou Raquel Massote)

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