Volatilidade cambial cresce com incerteza eleitoral

Índice que mede a incerteza da taxa de câmbio que está embutida na negociação das opções de dólar atingiu 13,67% ao ano na última quinta; em agosto, patamar estava na faixa dos 9%

Fabrício de Castro, O Estado de S. Paulo

22 de setembro de 2014 | 17h34

A indefinição sobre o resultado da corrida presidencial aumentou a pressão sobre o mercado de câmbio brasileiro. Incapazes de estabelecer com segurança se Dilma Rousseff (PT) ou Marina Silva (PSB) vencerá a disputa, os investidores passaram a embutir nas opções cambiais, nas últimas semanas, maiores incertezas sobre o patamar do dólar no futuro.

O índice de volatilidade FXvol - calculado pela BM&FBovespa e que mede a incerteza da taxa de câmbio que está embutida na negociação das opções de dólar - atingiu os 13,677% ao ano na última quinta-feira, dia 18. O patamar chama atenção já que, no fim de agosto, o índice oscilava na faixa dos 9% ao ano e, em julho, chegou a ser calculado na faixa dos 8%. Na prática, quanto maior o FXvol, maior a expectativa de volatilidade para o câmbio em um período de 12 meses.

"Isso ocorre principalmente por conta da Dilma. Havia uma expectativa forte de que a Marina venceria a eleição, mas o fortalecimento de Dilma elevou a incerteza", comentou um gestor de recursos que prefere não se identificar. "O índice reflete maior volatilidade do dólar, em parte em função das eleições", acrescentou o profissional de uma corretora, lembrando que o exterior ainda tem sua parcela de contribuição, já que o momento da alta de juros nos EUA, pelo Federal Reserve (Fed, o banco central americano), segue indefinido.

Nos últimos 11 dias úteis, o dólar subiu ante o real em dez ocasiões, totalizando no período alta de 6,78% ante o real. O movimento ocorreu na esteira da divulgação de pesquisas de intenção de voto mais favoráveis a Dilma Rousseff, com a candidata do PT passando a aparecer tecnicamente empatada com Marina Silva no segundo turno. E com os investidores se ajustado às novas perspectivas, as dúvidas sobre o vencedor da disputa elevaram a volatilidade e influenciaram o Fxvol.    

"É até estranho que o Banco Central, em função dessa volatilidade, não tenha aumentado a rolagem dos swaps cambiais", comentou o gestor. Nos últimos meses, o BC vem rolado parte dos swaps cambiais que vencem no primeiro dia útil de cada mês, deixando normalmente uma parcela entre 25% e 30% vencer normalmente - o que significa retirada de dólares do mercado.

Para o vencimento de outubro, se continuar no atual ritmo de rolagem de 6 mil contratos (US$ 300 milhões) por dia, o BC rolará 96 mil contratos (US$ 4,800 bilhões) dos 133.040 contratos (US$ 6,652 bilhões) programados para vencer. Os 37.040 contratos restantes (US$ 1,852 bilhão ou 27,84% do total) seriam recolhidos do sistema.  

Como a pressão recente sobre o câmbio é grande, profissionais vêm especulando se o BC elevará esta rolagem, podendo chegar ao total do vencimento de outubro. "Em episódios anteriores, com aumento da volatilidade, o BC aumentou a rolagem. Não faz sentido não fazer isso agora", disse o profissional. 

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